Existem presidentes nacionalistas e os entreguistas

O amor à Pátria motivou as campanhas libertárias de todos os países nas Américas e na África e na Ásia.

Desde que o mundo é mundo sempre persistiu a luta contra o invasor. O colonizador que saqueia e escraviza. Os predadores buscam riquezas, alimentos e trabalhadores para os serviços sujos e pesados. E justificam a barbárie em nome dos deuses. Da Pax Romana. Da evangelização dos povos.

No ano de 1556 o rei d’Espanha
proibiu o uso da palavra conquista
Descobrimento a palavra substituta
ensinada nas escolas
os historiadores nacionalistas
querem trocar
por reconhecimento
ou encontramento

Corridos cinco séculos
de exterminação
de segregação
para os especialistas
a História
simplória lista
de achados & perdidos

INJUSTO COM SATÃ

Escreve Paulo Nogueira: Rafael Correa é um daqueles presidentes de que os Estados Unidos definitivamente não gostam. Aos 49 anos, loquaz e enérgico, é um esquerdista moderado, um socialista cristão para quem os interesses de seu país não coincidem, necessariamente, com os dos Estados Unidos. Há algum tempo, ele recusou renovar um contrato pelo qual os americanos mantinham uma base militar no Equador. “Só aceito renovar se eles toparem que o Equador monte também uma base militar nos Estados Unidos”, disse ele, sorrindo.

O foco de Correa é a diminuição da desigualdade social entre os equatorianos. Nisso, ele não é diferente, por exemplo, da presidenta Dilma, ou de Lula. O que separa Correa de ambos é a forma com que ele coloca suas prioridades: enquanto Dilma parece sussurrar e Lula parecia falar, Correa parece gritar. Suas opiniões são expressas de maneira franca e, com frequência, contundente, a despeito do humor e do sorriso aberto quase sempre presentes.

Seu colega Hugo Chávez, da Venezuela, uma vez comparou o ex-presidente americano George W. Bush ao “Satã”. Correa disse que Chávez fora injusto com Satã.

OS MINÉRIOS E O INTERESSE NACIONAL
Escreve Mauro Santayana: As empresas mineradoras, quase todas estrangeiras ou com forte participação de capital externo, ameaçam ir à Justiça contra o governo brasileiro. Alegam “direitos minerários”. Razão alegada: o Ministério de Minas e Energia e o Departamento Nacional de Produção Mineral, a ele subordinado, não têm emitido novas licenças para pesquisas de lavras, nem outorgas de concessão do direito de minerar. Segundo informações oficiosas, e não oficiais, a ordem é do Planalto.

 Mina de Carajás, no Pará

A matéria sobre o assunto, publicada sexta-feira pelo jornal Valor, não esclarece de que “direitos minerários” se trata. Pelo que sabemos, e conforme a legislação a respeito, o subsolo continua pertencendo à União, como guardiã dos bens comuns nacionais. A União pode, ou não, conceder, a empresas brasileiras, o direito de pesquisa no território brasileiro e o de explorar esses recursos naturais, dentro da lei. Nada obriga o Estado a atender aos pedidos dos interessados.

A Constituição de 1988, e sob proposta da Comissão Arinos, apresentada pelo inexcedível patriota que foi Barbosa Lima Sobrinho, havia determinado que tais concessões só se fizessem a empresas realmente nacionais: aquelas que, com o controle acionário de brasileiros, fossem constituídas no Brasil, nele tivessem sua sede e seus centros de decisão. O então presidente Fernando Henrique Cardoso, com seus métodos peculiares de convencimento, conseguiu uma reforma constitucional que tornou nacionais quaisquer empresas que assim se identificassem, ao revogar o artigo 171 da Constituição, em 15 de agosto de 1995, com a Emenda nº 6. Ao mesmo tempo, impôs a privatização de uma das maiores e mais bem sucedidas mineradoras do mundo, a nossa Vale do Rio Doce.

AMÉRICA LATINA

É bom pensar pelo menos uns dois minutos sobre a América Latina, seus recursos minerais e a impiedosa tirania ibérica sobre os nossos povos. A prata de Potosi – e de outras regiões mineiras do Altiplano da Bolívia – fez a grandeza da Espanha no século 17. O ouro e os diamantes de Minas, confiscados de nosso povo pela Coroa Portuguesa, financiou a vida da nobreza parasita da Metrópole, que preferiu usar o dinheiro para importar produtos estrangeiros a criar manufaturas no país. As astutas cláusulas do Tratado de Methuen, firmado entre Portugal e a Inglaterra, em 1703, pelo embaixador John Methuen e o Conde de Alegrete, foram o instrumento dessa estultice. Assim, o ouro de Minas financiou a expansão imperialista britânica nos dois séculos que se seguiram.

A luta em busca do pleno senhorio de nosso subsolo pelos brasileiros é antiga, mas se tornou mais aguda no século 20, com a intensa utilização do ferro e do aço na indústria moderna. Essa luta se revela no confronto entre os interesses estrangeiros (anglo-americanos, bem se entenda) pelas imensas jazidas do Quadrilátero Ferrífero de Minas, tendo, de um lado, o aventureiro Percival Farquhar e, do outro, os nacionalistas, principalmente mineiros, como os governadores Júlio Bueno Brandão e Artur Bernardes.

Bernardes manteve a sua postura quando presidente da República, ao cunhar a frase célebre: minério não dá duas safras.

Temos que agir imediatamente, a fim de derrogar toda a legislação entreguista do governo chefiado por Fernando Henrique, devolver a Vale do Rio Doce ao pleno controle do Estado Nacional e não conceder novos direitos de exploração às empresas estrangeiras, dissimuladas ou não. E isso só será obtido com a mobilização da cidadania.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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