Presenteados amigos ocultos dos sorteios secretos da Caixa Econômica

Eu não acredito em nenhum jogo de azar que esconde os nomes dos beneficiados pela sorte. Mesmo que seja bancado pelo bicheiro Cachoeira.

Eis uma lista, que apenas revela nomes de políticos. Sempre sobra para os políticos.

Agência Floripa:

Com a maior evolução patrimonial nos últimos quatro anos entre os vereadores de São Paulo, Wadih Mutran (PP) creditou seu enriquecimento a três bilhetes de loteria premiados.

Reportagem publicada nesta quinta-feira (12) mostra que Mutran (PP) dobrou sua riqueza entre 2008, quando declarou ter R$ 1,9 milhão à Justiça, e 2012, quando informou R$ 3,8 milhões.

No intervalo, afirma, ganhou R$ 600 mil na loteria federal, em 2009. “Era uma trinca. Três bilhetes, cada um com prêmio de R$ 200 mil.”

O vereador não é o primeiro caso de político que diz ter sorte de ganhar prêmios na loteria.

O mais notório foi o deputado João Alves, morto aos 85 anos em 2004 e que ficou conhecido pelo envolvimento no escândalo dos Anões do Orçamento na década de 1990.

Alves renunciou ao cargo de deputado em 1994 para escapar de um processo de cassação e de perda de direitos políticos, mas não voltou a se candidatar.

Para justificar o seu alto padrão de vida, alegava ser um ganhador contumaz de loterias –teriam sido 221 prêmios.

Em 2004, levantamento feito pela Receita Federal e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também mostrava dois políticos ganhando nas loterias da CEF (Caixa Econômica Federal) diversas vezes.

O ex-deputado Francisco Garcia Rodrigues, que estava no PP do Amazonas, acertou, junto com o seu filho, 43 vezes em 21 jogos diferentes entre os anos de 1996 e 2000.

Entre 1996 e 1998, eles receberam juntos R$ 811 mil. Na época, em entrevista à Folha, Rodrigues atribui sua sorte ao “envolvimento” que tinha com futebol e ao uso do “computador”.

Outro caso relevado no mesmo período foi o do deputado Fernando Lucio Giacobo (PR -PR ), que acertou 12 vezes em oito jogos em um período de 12 dias. Ao todo, recebeu R$ 134 mil.

“Só tem sorte. E existe Deus, ele deu uma olhadinha lá e uma benzida”, disse Giacobo, em entrevista publicada na época.

Morto em 2010, o deputado José Janene, que foi um dos réus do mensalão, relevou em declarações para a Justiça Eleitoral ter ganhado R$ 36.184 na Mega-Sena em 2001.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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