Chinesa Wuhan desiste de siderúrgica na Eikelândia, Rio de Janeiro

O porto de Açu vai destruir uma faixa de 300 quilômetros de praias. A construção da Eikelândia tornará cinzento o verde e o azul dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Os chineses não quiseram entrar nessa fria. O lucro econômico e financeiro não compensa os desgastes da contrapropaganda internacional dos ambientalistas. A imprensa brasileira não toca no assunto. A imprensa ocidental fala, indiretamente, sobre a derrubada de matas, de bosques, do que resta da Floresta Atlântica. Do sumiço do mapa de lagos, riachos e praias. Da capinagem da vegetação nativa para construção de fábricas, de usinas, de destilarias, de mineradoras. Numa canetada, o governador Sérgio Cabral desapropriou 400 fazendas. E a justiça cuidou de destruir as moradias dos pequenos fazendeiros e suas famílias e empregados trabalhadores rurais. Um desalojamento forçados de mais de 1 500 pessoas. Um verdadeiro êxodo rural. Isso acontece porque Eike Batista, chamado de rei do Rio, governa o Estado do Rio de Janeiro. É o governador de fato. Preside vários tribunais regionais de justiça. Talvez seja o real (o dinheiro fala mais alto) presidente do Brasil.

A Wuhan Iron & Steel, quarta maior produtora de aço da China, desistiu do plano de construir uma siderúrgica de 5 bilhões de dólares no Brasil em joint-venture com o grupo EBX, após uma série de estudos de viabilidade ter concluído que o risco era muito alto, publicou nesta terça-feira o 21st Century Business Herald.

Citando duas fontes não identificadas, o jornal afirma que problemas de logística, transporte e fornecimento de carvão de coque eram os principais motivos da decisão.

A siderúrgica, que seria instalada na zona industrial do porto de Açu, que está sendo erguido pela LLX no Rio de Janeiro, exigiria a construção de uma ferrovia de 300 quilômetros para transportar matéria-prima para a usina.

Procurada no Brasil, a EBX não pode comentar o assunto de imediato.

“O custo da construção de uma ferrovia tão longa é muito alto e aumentou muito o valor total do projeto”, disse uma das fontes ao jornal.

A divulgação do abandono dos planos da Wuhan acontece em um momento em que o grupo alemão ThyssenKrupp estuda opções para a Companhia Siderúrgica do Atlântico, usina recém construída no Rio de Janeiro que passou por estouros de orçamento e cronograma e problemas ambientais.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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