COMEÇOU A LIMPA DO MARACANÃ PARA EIKE BATISTA

Sérgio Cabral desapropriou 400 fazendas para Eike Batista poder vender o projeto verde dele de construir um complexo industrial portuário de fábricas de cimento, ferro, aço, usina de açúcar, destilaria de álcool, de petróleo e outros fumacês da economia azul. Eike de posse dessa vastidão de terras e mais terras, que incluem matas, bosques, rio, riachos, lagoas e praias no Norte Fluminense, começou a vender a ideia, para o capital estrangeiro, que ele não gosta muito de incluir o suado dinheiro dele nas coisas que faz. O capital do BNDES ele nem precisa reclamar. Tem como garantido. Idem o apoio da justiça. Assim começa sua Eikelândia, com sede no porto de Açu, para marcar a Rio + 20 no interior do Rio de Janeiro.

Na Capital, Eike domina várias praias e matas, tudo para tornar mais maravilhosa a ex-capital do samba, que virou Capital do Rock. Mas bem que faltava um feito do seu reinado para comemorar o Rio + 20. Decidiu comprar um edifício símbolo da Cidade, o Maracanã. Que vai ter um imenso estacionamento na horizontal e, em um futuro próximo, pode ser erguido na vertical, e as sobras dessas desvalorizadas terras urbanas terão cimentados usos.

Já derrubaram mais de 100 árvores na área do estádio, desde fevereiro de 2011. O jornal Extra fotografa a derrubada do que resta. Na reportagem aparecem alguns nomes da junta Ordem e Progresso que, verdadeiramente, governa o Brasil, o Estado e a Capital do Rio de Janeiro:

Operários recolhem galhos de árvores cortadas no entorno do Maracanã, na semana da Rio+20
Operários recolhem galhos de árvores cortadas no entorno do Maracanã, na semana da Rio+20 Foto: Nina Lima

Quase ao mesmo tempo, na Rio +20, o argentino Federico Addiechi, diretor de responsabilide social da Fifa, disse num painel de sustentabilidade que o Brasil e o futebol seriam modelos ecologicamente corretos.

– Desde 2011, temos integração com câmaras temáticas do Brasil que tratam de meio ambiente. Temos que dar exemplo – afirmou o dirigente da Fifa.

A Secretaria Estadual de Esportes disse que a responsabilidade do projeto é da Secretaria de Obras. Até agora foram cinco “autorizações de remoção de vegetação”. Na última delas, do dia 6 deste mês, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente aprovava a retirada 68 árvores na área do portão 18 e próximo ao estádio de atletismo Célio de Barros.

Em fotografia de janeiro de 2012, as árvores no entorno do Maracanã e do estádio de atletismo Cpelio de Barros
Em fotografia de janeiro de 2012, as árvores no entorno do Maracanã e do estádio de atletismo Cpelio de Barros Foto: Fernanda Teixeira

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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