O trabalho escravo não é crime no Brasil. Veja “Servidão Humana” de Jean François Brient (com vídeo documentário)

 

 

A servidão moderna é um livro e um documentário de 52 minutos produzidos de maneira completamente independente. O livro (e o DVD contido) é distribuído gratuitamente em certos lugares alternativos na França e na América Latina.

O texto foi escrito na Jamaica em outubro de 2007, e o documentário finalizado na Colômbia em maio de 2009. O filme foi elaborado a partir de imagens desviadas, essencialmente oriundas de filmes de ficção e de documentários. Apresento uma versão legendada em português.

Importante que todo brasileiro conheça, principalmente hoje, que tramita no Congresso uma lei que pune o escravocrata. E contra esta lei existe o poderoso lóbi dos ruralistas.

Entre janeiro e dezembro de 2011, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, órgão do Ministério do Trabalho que checa as denúncias, realizou 158 operações e resgatou 2.271 pessoas encontradas em situação degradante de trabalho.

Entre 1995 e 2011, foram resgatados 41.451 trabalhadores em todo o país, em 1.240 operações realizadas.

Impossível saber quantos brasileiros estão submetidos ao trabalho escravo. O recrutamento do trabalhador se faz via promessas enganosas, ameaças, sequestro. Todo escravocrata prende e tortura. A maioria mata.  Inclusive fiscais do Ministério do Trabalho.

O Governo Federal alega, por meio da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, que pretende dar prioridade à criminalização do Trabalho Escravo em 2012. Um dos instrumentos eficazes na punição seria a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 438/01, que prevê o confisco de terras pela União onde seja comprovada a prática. A matéria precisa ser votada no Congresso.
A “Servidão Humana” de Jean Jean François Brient nào trata dos nossos campos de concentração nazista. Mas da servidão de trabalhar para satisfazer a compulsão consumista de objetos obsoletos. Ou da busca de status social via objetos.

A servidão moderna é uma escravidão voluntária, aceita por essa multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que lhes escravizam cada vez mais. Eles mesmos correm atrás de um trabalho cada vez mais alienante, que lhes é dado generosamente se estão suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os amos a quem deverão servir. Para que essa tragédia absurda possa ter sucedido, foi preciso tirar desta classe, a capacidade de se conscientizar sobre a exploração e a alienação da qual são vítimas. Eis então a estranha modernidade da época atual. Ao contrário dos escravos da Antiguidade, aos servos da Idade Média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje frente a uma classe totalmente escrava, que no entanto não se dá conta disso ou melhor ainda, que não quer enxergar. Eles não conhecem a rebelião, que deveria ser a única reação legítima dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que foi planificada para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.

Eis então o pesadelo dos escravos modernos que só aspiram a deixar-se levar pela dança macabra do sistema de alienação.

A opressão se moderniza estendendo-se por todas as partes, as formas de mistificação que permitem ocultar nossa condição de escravos.

Mostrar a realidade tal qual é na verdade e não tal como mostra o poder constitui a mais autentica subversão. Leia mais. Sobre A servidão voluntária, A organização territorial e o habitat, A Mercadoria, A Alimentação. Clique aqui, para a leitura. E aqui, para ver o documentário .

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “O trabalho escravo não é crime no Brasil. Veja “Servidão Humana” de Jean François Brient (com vídeo documentário)”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s