Parada Gay deve reunir 3 milhões na Paulista para esquecer os que sofrem e propagar o mito do Brasil cordial

Na terra do maior tribunal de justiça do mundo – com 360 desembargadores -, a parada gay  tem apenas uma mensagem de luta: a homofobia. E todos esquecem os flagelos de São Paulo: um deles, a violência. Destaco apenas a violência sexual:  a homofobia, a lesbofobia, o femicídio, o assédio sexual no trabalho, o bulismo, o stalking, o  estupro, a pedofilia etc.

Como acontece no São Paulo violento doutros crimes – sequestros, assaltos, mortes encomendadas, chacinas – as vítimas são sempre os pobres. E a classe média que não pode pagar seguranças.

No Brasil impera a Justiça PPV. “Só existe para pobres”. Definiu o íntegro ministro Édson Vidigal, quando presidente do Superior Tribunal de Justiça: “Concordo plenamente: é a justiça do PPV, para pobre, puta e veado. São as pessoas mais discriminadas, as minorias. Isso acontece porque não têm defensores. Os ricos, que têm advogados, não vão para a cadeia: eles conseguem escapar dos processos porque a lei no Brasil é tão emaranhada que é preciso gente muito especializada para enfrentar essa selvageria que é nossa legislação processual.”

Considerando as populações miseráveis, pobre passa a ser sinônimo de preto. Assim temos a justiça do preto pobre, da puta pobre, do veado pobre. Nesta parada não há nenhuma reivindicação para proteger o gay pobre, a principal vítima da homofobia. Discriminado, inclusive, pelos gays ricos. Sem emprego. Ou recebendo o salário da fome. Sem moradia. Perseguido pela polícia. Apodrecendo nos cárceres, nos asilos de velhos, nas filas dos hospitais. Ou morrendo, lentamente, na aflição e dor de quem não tem medicamentos nem atendimento médico. O gay pobre não participa da parada. Não faz parte da contagem dos 3 milhões.

Há uma grande diferença entre os movimentos gays do Brasil e de outros países.Destaquei o esquecimento do veado pobre. E não falei do que bate calçada, o prostituto de rua, que vende o corpo. Uma situação de pobreza idêntica a milhões de mulheres. Basta salientar que o Brasil possui, oficialmente, informa a ONU, 250 mil prostitutas infantis no tráfico do sexo.

Segundo a despolitização. Veja o exemplo da Argentina. Promoveu-se uma campanha pela casamento igualitário e libertário.  Todo tipo de apartheid termina com o fim da proibição do casamento inter-racial. Da obrigação de casar no próprio grupo social (endogamia).  Toda sociedade deve lutar pelo casamento morganático (entre duas pessoas de estratos sociais), pelo casamento misto (entre duas pessoas de religiões diferentes). Celebraram os argentinos, com a conquista do casamento igualitário e libertário, o casamento gay, o fim do homossexualismo, que é um termo médico criado no final do século XIX para identificar o sujeito homossexual.

A presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner promulga  a lei que habilita o casamento gay, o que torna a sociedade do país "mais igualitária"
A presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner promulga a lei que habilita o casamento gay, o que torna a sociedade do país “mais igualitária”

E justiça seja feita! o mito do Brasil cordial, que beneficia as elites, protege todos os seus membros. Não conheço nenhum gay rico vítima da homofobia. E hoje exercem cargos nos três poderes. Comandam empresas. São celebridades nas artes.

A Parada carnavalesca constitui uma transposição para as ruas de São Paulo do baile Gala Gay do Rio de Janeiro. Tornou-se uma festa que rende milhões para a indústria do turismo. E para os promotores do evento. Que defendem os guetos de luxo. Onde são proibidos de entrar as lésbicas, os gays, os bissexuais, os travestis, os transexuais e os transgêneros sem grana.

Qual a diferença entre o tradicional Gala Gay do Rio de Janeiro e a Parada dos 3 milhões de São Paulo?
Qual a diferença entre o tradicional Gala Gay do Rio de Janeiro e a Parada dos 3 milhões de São Paulo?

Que parte dos 3 milhões leve cartazes de protesto. Contra a marginalização econômica dos LGTB.

Fica o desafio. E o aviso: os inimigos da liberdade de expressão, a Gestapo, os comissários de partidos políticos e as milícias da ditadura econômica são mais cruéis que os homofóbicos. E mais: os promotores enriquecidos da Parada promovem uma camuflada censura. Para satisfazer os interesses dos que patrocinam o milionário evento.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “Parada Gay deve reunir 3 milhões na Paulista para esquecer os que sofrem e propagar o mito do Brasil cordial”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s