Caixa Econômica: Um feirão de casas para o povo e para a nova classe média e para os corruptos

Em SP cobertura de 3 milhões

Imóvel com churrasqueira, piscina e deck
Imóvel com churrasqueira, piscina e deck

A Caixa Econômica financia prédios de apartamentos e condomínios fechados do mais alto luxo. Quem compra um imóvel deste, sendo funcionário dos três poderes, devia ser prontamente investigado.
Mas o enriquecimento ilícito não é crime.

Apartamento custa R$ 2,94 milhões. Foto do terraço
Apartamento custa R$ 2,94 milhões. Foto do terraço

O imóvel, que já está pronto para ser habitado, pode ser financiado pela Caixa, sai por R$ 2,94 milhões e fica no Alto de Pinheiros, bairro da zona Oeste de São Paulo.

A Caixa oferece 24.500 imóveis novos, prontos e na planta – 15.200 são enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal (com valor máximo de venda de R$ 170 mil). Fonte: Jornal O Globo.

Teve um tempo, quando a corrupção não era generalizada, a Caixa financiava o primeiro imóvel para os sem teto da classe média. Hoje prédios e mais prédios são vendidos à agiotagem imobiliária. Os empresários dos aluguéis – cada vez mais caros – possuem centenas, milhares de apartamentos e casas no lucrativo mercado.

Os principais compradores dos imóveis da Caixa:

* Empresários prestamistas de aluguéis
* Lavanderias de dinheiro sujo
* Endinheirados da contraeconomia (economia subterrânea, economia informal, mercado negro etc)
* Estrangeiros (foragidos da justiça e trabalhadores aposentados)
* Quem tem estabilidade no emprego (funcionários do executivo, do judiciário, do legislativo, desde que a compra do imóvel não prejudique o recebimento do auxílio moradia)

CASA PRÓPRIA DA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA

Enquanto metade dos imóveis estão vazios, metade da população, cerca de cem milhões de brasileiros, que têm um rendimento mensal de 270 reais (não passa dos cento e quarenta dólares), não compra nem as três refeições/dia. Estão incluídos os que recebem a esmola do bolsa-família.

A chamada classe média baixa (noutros países em crise como Espanha, Portugal, Grécia, Irlanda seria chamada de pobre) que ganha o mínimo de 610 reais ( no máximo, no máximo, trezentos e dez dólares) como salário ou aposentadoria ou pensão, não tem poder nenhum de compra. Principalmente se for um velho, um idoso, um ancião. Não tem onde morrer, afirma o ditado popular.

Para evitar os cruéis despejos da justiça PPV – como aconteceu em Pinheirinhos, em São José dos Campos , quando milhares de miseráveis foram retirados de suas casas, pela polícia de Alckmin, comandada pelo desembargador Ivan Sartori, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo -,  o Governo Federal tem que pegar de volta o dinheiro de ajuda aos bancos, às montadoras e oficinas estrangeiras, e investir em moradias para o povo em geral.

PROGRAMA MINHA CASA, MINHA VIDA

Edíficio caixão do ProgramaMinha Casa, Minha-Vida
Edíficio caixão do Programa Minha Casa, Minha Vida

Um empregado precário não pode realizar nenhum projeto para o futuro. O ditador Castelo Branco cassou a estabilidade no emprego. Em troca, criou o sonegado Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS. O único bem do trabalhador.

O que hoje se pretende tirar do trabalhador europeu, no Brasil foi uma política do FMI, que começou em 1964. E tudo ficou mais maléfico para o trabalhador, nos governos pósditadura militar, principalmente com o rasga da CLT por Fernando Henrique.

Não existe, na economia privada, emprego fixo. Todos os empregos são temporários. Também acabaram com os chamados profissionais liberais, (parece piada) coisa do liberalismo econômico.

Médicos, engenheiros, arquitetos, advogados, economistas, jornalistas etc são funcionários públicos ou proprietários ou empregados de empresas anônimas ou limitadas. Ou biqueiros.

Como empregados, pendurados no cartão de crédito, promovem a multiplicação dos peixes com o pisoteado piso. São os contemplados pela Caixa Econômica para residirem sob um teto de R$ 170 mil, o valor máximo financiado.

Vão viver e morrer nos conjuntos habitacionais, formados por edifícios tipo caixão.

Conjunto habitacional padrão do Programa Minha Casa Minha Vida
Conjunto habitacional padrão do Programa Minha Casa, Minha Vida

Apático, conformado, o estudante universitário considera uma benesse morar amanhã em um prédio cortiço de rico, com um ou dois quartinhos apertados.

E o que as elites reservaram para a nova classe média brasileira?
Qual a diferença entre morar em uma superfaturada vila, planejada por um arquiteto da esquerda, lá nas lonjuras do inferno, onde o diabo perdeu as botas, ou em uma favela?

Casas projetadas pela genial arquitetura brasileira
Casas projetadas pela genial arquitetura brasileira

Refazendo a pergunta: não é preferível ficar em um local perto de tudo, principalmente do emprego?

Maré, o maior complexo  de favelas do Rio, com a riqueza do verde do que resta da Floresta Atlântica e o azul do céu e do mar
Maré, o maior complexo de favelas do Rio, com a riqueza do verde que resta da Floresta Atlântica e do azul do céu e do mar

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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