É interessante a prática do esculacho, uma boa maneira de punir os torturadores de 64

  Carlos Newton

 

Tenente-coronel Maurício Lopes Lima, torturador, assassino de presos
Tenente-coronel Maurício Lopes Lima, torturador, assassino de presos

Não há crime hediondo como a tortura, quando o algoz usa do poder de que dispõe para seviciar a vítima indefesa, não importa se o torturador é militar, civil ou um simples sequestrador – o crime abjeto é o mesmo. Mas é claro que o torturador que age sob o manto da farda militar tem a circunstância agravante de representar um Poder desmesurado, não há dúvida. Fica mais covarde ainda.

É preciso punir esses criminosos, não há dúvida. Mas acontece que o Supremo já decidiu que a Lei da Anistia valeu, está em vigor e não pode haver condenação para os torturadores do regime militar. O que se pode fazer, então? Ora, a solução já está encontrada. É o esculacho-escracho, uma manifestação que surgiu na Argentina e no Chile e que agora ganhou uma versão bem brasileira.

Assim, com o intuito de chamar a atenção da sociedade sobre a importância da Comissão Nacional da Verdade, que tem por objetivo investigar os crimes cometidos por agentes de Estado (torturas, assassinatos, sequestros) no período da Ditadura Militar (1964-1985), jovens manifestantes têm promovido atos de esculacho contra os torturadores.

Já foram feitos esculachos em diversas cidades. No Rio, o alvo foi o torturador José Antônio Nogueira Belham, em frente a sua casa, no Flamengo, Zona Sul do Rio. Ele foi um dos responsáveis pela morte do deputado Rubens Paiva. Em Guarujá, São Paulo, o esculachado foi Maurício Lopes Lima, tenente-coronel reformado, reconhecido por Dilma Rouseff como o seu torturador.

 

Tenente-coronel Maurício Lopes Lima, retrato da época que sequestrava e torturava, para reconhecimento das vítimas
Tenente-coronel Maurício Lopes Lima, retrato da época que sequestrava e torturava, para reconhecimento das vítimas

É claro que a versão brasileira do esculacho tende a ser muito mais alegre e festiva, como é do nosso temperamento, que comprova a cordialidade de nosso povo na sábia visão do sociólogo Sergio Buarque de Holanda, o pai do Chico (que também apoiava a guerrilha, teve de deixar o país mas não chegou a ser torturado).

Daqui a pouco, vão aparecer surdos, bumbos, caixas e tamborins, e o esculacho vai ficar completo, podem apostar. E assim vai indo o Brasil, este estranho país onde tudo acaba em pizza ou em… samba.

 

T.A.: Mataram o samba. Agora tudo termina in Rock in Rio, patrocinado pelos governos do Estado e da cidade do Rio de Janeiro, para o enriquecimento de malandros.

Duvido que Tio Sam patrocine o Samba in Washington. Promover a cultura doutros países fica para governos corruptos e colonizados.

Rio de Janeiro, ex-Cidade Maravilhosa, ex-Capital do Samba.

 

 

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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