CPI do Cachoeira. O Brasil não precisa de bode expiatório

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, senador Vital do Rego (PMDB-PB), vai receber na próxima quarta-feira (2), cópia do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A decisão de compartilhar o inquérito com a CPI mista foi tomada hoje (27) pelo relator do processo no Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandoski.

Uma CPI para investigar um senador? Considero o feito parcial. Não se faz preciso. A CPI do Cachoeira, pelo próprio nome, visa investigar o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Isso só será possível se a CPI tiver a posse de todos os documentos das operações Vegas e Monte Carlo. Principalmente da Vegas, a investigação mãe, que a Monte Carlo constitui um desdobramento.

Cópia do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres limita, fixa, representa  uma simples parte. Que se investigue o todo.

Como foi feita esta seleção de documentos que apenas incriminam uma única pessoa? Se o STF possui todos os documentos contra o senador, que faça sua parte, a esperada justiça, e para tal não se faz necessária nenhuma CPI.

Compete à CPI dizer para o Supremo: ou tudo ou nada. O Senado possui este poder constitucional.

Corre na internet as seguintes acusações:

“1) Coisas mais graves do que as apuradas pela operação Monte Carlo (da PF, criada para investigar Demóstenes e Cachoeira) foram apuradas na operação Las Vegas, que trata de ligações do Cachoeira com a cúpula do Judiciário. Haveria material incriminando (em maior ou menor grau) nove ministros do STJ e quatro do STF. Só que o STF requisitou toda a documentação a respeito, determinando que a PF não ficasse com cópia, e sentou-se em cima da papelada. Isso era sabido não só pelo Chico Otávio (Globo) e pelo Rubens (Folha), mas (pasmem!) pelo Wagner Montes.

2) Como a área de atuação de Cachoeira é perto de Brasília e ele tem desenvoltura e poder de articulação, ele atua como representante de um pool nacional de contraventores que exploram bingos, caça-níqueis, video-poquer e afins. Não fala só por ele. Daí sua desenvoltura (e seu dinheiro)”.

Creio que se trata de um boato, mais um entre mil. O boato ou fofoca se manifesta em crise ou pela falta de informação, pode ser voluntário (noticia) ou involuntário (boca-a-boca). Nunca se consegue descobrir a origem, aparece com uma credibilidade inexplicável, em geral possuem:

• Atrativo para o maior número de pessoas.
• Tema ambíguo e com diferentes interpretações.
• Fator de ansiedade dá mais rapidez a circulação do rumor.
• Fácil estimulação e assimilação.
Á medida que o boato circula fica cada vez mais estereotipado.

Em qualquer dicionário esta definição é encontradiça. Mas a crença em um boato advém de sua verossimilhança.

Todos os documentos, principalmente da operação Las Vegas, ou nada. O hábito bíblico do bode expiatório, que como portador de todas as impurezas pecadoras do homem foi expulso para o deserto, representa uma farsa: a perda do mandato do senador Demóstenes.

Vejam as manchetes de hoje (boatos em forma de notícias?):

O Governo Federal também vem sendo alvo da imprensa chamada golpista.
Verdade, meia-verdade, balão de ensaio, ou mais uma fofoca divulgada pela Folha de S. Paulo:
“Um dos interlocutores do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirma que ele caiu na gargalhada ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará no Congresso, informa a coluna de Mônica Bergamo”. 
Não será o sacrifício de um bode expiatório que fará o rito da expiação do Congresso, de que toda CPI termina em pizza.
O Levítico menciona. Por ocasião da Expiação, o Grande Sacerdote recebia dois bodes oferecidos pelos personagens mais importantes. De acordo com o resultado de um sorteio, um deles era imolado e o outro recuperava sua liberdade.
O mais importante nesta CPI não é o destino do dinheiro. Mas sua origem, além do  “pool nacional de contraventores”. Dinheiro que financia, inclusive, uma onda de boatos como despiste.
Nesta CPI, por um Brasil mais independente, mais democrático, mais justo, o fortalecimento dos Três Poderes.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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