Parte de um terreno no Parque Villa Lobos, em São Paulo, vira um mega precatório de 3 bilhões

Em 1987, comemorava-se o centenário de nascimento de Villa-Lobos. No ano seguinte, os Decretos Estaduais 28.335 e 28.336/88 destinavam a área atual do parque à implantação de um “parque de lazer, cultura e esporte”.

Antes de 1989, em sua porção mais a oeste havia um depósito de lixo do CEAGESP, onde cerca de oitenta famílias recolhiam alimentos e embalagens; na parte leste, ao lado do Shopping Villa Lobos, era um depósito de material dragado do Rio Pinheiros; e na porção central, o antigo proprietário permitia o depósito de entulho de construções.

O local constituía-se em um grande descampado. Conforme o projeto do arquiteto Decio Tozzi, foi iniciado o plantio de  árvores.

Em 2011, foi anunciada a ampliação em 20% da área, pela anexação do atual canteiro de obras da Linha 4 do Metrô de São Paulo.

Escreveu Luiz Carlos Azenha em 4 de outubro último:

O assunto só é conhecido aqui pelos leitores do blog da Tribuna, em função de uma matéria de denúncia aqui publicada, com absoluta exclusividade, e que fez a Assembleia de São Paulo exigir informações à Secretaria da Fazenda sobre os juros pagos em excesso a dois empresários pela desapropriação do Parque Villa Lobos, na zona oeste da capital. Estranhamente, a chamada grande imprensa nada publica a respeito.

A reportagem da Tribuna da Imprensa registrou que os primos Antonio João Abdalla Filho e José João Abdalla Filho receberam indevidamente cerca de R$ 300 milhões a título de juros moratórios pela desapropriação da extensa área, embora os pagamentos das parcelas tenham sido efetuados sempre antes das datas de vencimento e, portanto, jamais poderia haver juros por atraso.

Em função dessas irregularidades, o jornalista e ex-deputado Afanasio Jazadji entrou com uma ação popular contra o governo de São Paulo, que foi acolhida pela 6ª Vara da Fazenda Pública de SP. E, em seguida, com uma representação ao Procurador-Geral de Justiça.

E agora o promotor de justiça Marcelo Duarte Daneluzzi, da 3ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social do Estado de SP, decidiu instaurar inquérito civil para apurar as irregularidades, considerando procedente a representação do ex-parlamentar, que denunciou prejuízo de vulto à Fazenda do Estado, em decorrência de pagamento de precatório de valor superior a três bilhões de reais.

A REPRESENTAÇÃO ACOLHIDA PELO MP  clique aqui

Que parte da área do Parque Villa Lobos pertenceu a família Abdalla?

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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