Justiça ameaçada. O Brasil está parecendo a Itália da Campanha das Mãos Limpas

Em Natal, a presidente do Tribunal de Justiça Judite Nunes está com escolta reforçada e mais o desembargador Caio Alencar e o juiz Luiz Alberto Dantas, que estão investigando o Caso Judas dos precatórios.

Não se sabe o que motivou esta precaução, quando estão sendo investigados funcionários do TJ-RN. Mas em toda Natal, apesar dos desmentidos, corre o boato de que o desembargador Caio Alencar foi agredido pelos desembargadores ex-presidentes Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro.

Magistrada recebeu escolta após intimidações e acessos a dados sigilosos

Juíza da 2ª Vara do Júri de Porto Alegre, Elaine Maria Canto da Fonseca e sua família estão juradas de morte e vivem acossadas: têm proteção nas 24 horas do dia, restringiram atividades sociais e se deslocam num dos três carros blindados fornecidos pelo Tribunal de Justiça. Uma das suspeitas é de que as ameaças partam de policiais militares, que vasculharam dados pessoais de Elaine no sistema de consultas integradas, um grande banco de dados da área da Segurança Pública que armazena informações pessoais de todos os gaúchos.

Publiquei em 19 de janeiro o alerta do desembargador Nelson Calandra:
– Vivemos num país onde quatro juízes e dois promotores foram assassinados recentemente e, em menos de um mês e meio, presenciamos quatro ataques contra fóruns.

Um país civilizado não precisa do martírio de magistrados. O Brasil parece mais a Itália na Campanha das Mãos Limpas, quando juízes que investigavam denúncias de corrupção precisavam andar com guarda-costas e, mesmo assim, alguns deles foram assassinados.

Precisamos de leis duras para punir quem ameaça a justiça ou tenta corromper autoridades honestas nos três poderes.

A morte de um juiz crime de lesa-majestade.

“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que he tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharão, que o comparávão á lepra; porque assi como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que com elle conversão, polo que he apartado da communicação da gente: assi o erro da traição condena o que a commette, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa”. Ordenações Filipinas.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s