Corrupção no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte

Um tribunal que pare o Caso Christine Epaud tem despacho de pai de santo e quadrilha dos precatórios

Ao final dos depoimentos prestados pelos cinco réus da Operação Judas, o Ministério Público emitiu Nota de Esclarecimento em que confirmou que os réus Carla Ubarana e George Leal confessaram sua participação no esquema de desvio dos precatórios e indicaram os desembargadores Osvaldo Soares da Cruz e Rafael Godeiro Sobrinho, ambos ex-presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, como co-autores dos ilícitos.

Carla Ubarana e George Leal confirmaram ontem à Justiça o teor dos depoimentos de delação premiada prestadas ao Ministério Público Estadual, dando mais detalhes sobre como o pagamento de propinas era realizado. O MPE disse, em nota enviada à imprensa, que a acusação “se coaduna com o conjunto probatório até o momento coletado”. Ou seja, há provas.

O conteúdo dos diários de Carla Ubarana foi quase que inteiramente confirmado durante os depoimentos realizados ontem. Contudo, Carla Ubarana deu mais detalhes.

O relato da ex-chefe da Divisão de Precatórios do TJ descreveu o pagamento para Rafael Godeiro: era feito em espécie e dentro do prédio do Tribunal. Mais especificamente, segundo Carla, o dinheiro era repassado na sala da presidência, não muito longe da vista dos demais servidores.

Fontes da TRIBUNA DO NORTE revelaram que Carla explicou detalhadamente como era feito repasse. Ela juntava notas de R$ 100 em maços e colocava dentro de envelopes originalmente utilizados para guardar papéis. Os maços eram organizados dentro do pacote de forma a não deixá-lo muito “gordo” e não levantar suspeitas. Feito isso, o envelope de dinheiro era entregue dentro do próprio gabinete da presidência. Em algumas situações, servidores do Tribunal viram pacotes de dinheiro dentro da bolsa de Ubarana, o que causou estranheza.

O nome dado de “Caso Judas” às investigações da bandidagem dos precatórios no Rio Grande do Norte, deixa explícito que qualquer denúncia outra, nos tribunais do Brasil, é quebra de corporativismo, deslealdade, insídia, aleivosia, coisa de traidor, de Judas.

Considero uma ação louvável o arrependimento, e necessário o perdão da delação premiada. O Brasil não pode conviver mais com a corrupção. Com a impunidade. Principalmente na Justiça.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s