O Bode anda solto em Brasília

Antonio José Carneiro, vulgo o Bode
Antonio José Carneiro, vulgo o Bode

Seis brasileiros estreiaram na lista de bilionários da Forbes, um deles é Antonio José de Almeida Carneiro, o Bode, ex-banqueiro falido, que há seis anos entrou no setor de energia e hoje é acionista da Energisa, dona de cinco distribuidoras. A Forbes calculou a fortuna energética dele em 1 bilhão e cem mil dólares.

Lembra Istoé: Bode fez fortuna a partir do zero. Começou como operador de pregão, em parceria com o hoje deputado Ronaldo Cezar Coelho, quando a Bolsa do Rio viveu o Milagre Brasileiro, no início dos anos 70. O dinheiro ganho com ações permitiu que os dois comprassem a pequena corretora Multiplic. Ela foi uma das potências do nascente open market, transformou-se em banco e construiu depois a maior financeira do País, a Losango. Enquanto o deputado preferiu as luzes da vida pública, Carneiro optou sempre pela discrição e a sombra. É avesso a badalações noturnas, circula em um grupo de amigos estreito, porém fiel, e evita fazer barulho mesmo no mundo dos negócios. Quando ele e seu antigo sócio desistiram da Multiplic, o Bode espalhou que iria viver retirado em sua fazenda em Minas Gerais, onde cria um plantel de cem cavalos manga-larga.

O Jornal de Brasília em reportagem de capa  O Bode aposta alto em Brasília, tira Carneiro da escuridão:

Investimentos passam dos R$ 900 milhões, 7 vezes valor do rombo no BRB

O Bode está na mira do Ministério Público de Contas do Distrito Federal, que analisa documentos para decidir se irá oferecer denúncia contra os operadores de uma transação que provocou um rombo de R$ 133,9 milhões no Banco de Brasília (BRB). O Tribunal de Contas do DF também aguarda pela denúncia para promover uma auditoria sobre a venda, pelo empresário Antonio José de Almeida Carneiro, o Bode, para o banco, em 2009, de títulos sem valor do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS).

Antônio José de Almeida Carneiro é um banqueiro, operador do mercado financeiro e acionista de grandes empresas. Trata-se de um dos mais ricos, misteriosos e discretos homens de negócios do País. Apontado pela revista Forbes na lista dos bilionários do País, com patrimônio que alcança R$ 1,1 bilhão, Bode é um dos acionistas majoritários da Construtora João Fortes Engenharia S/A e preside o Conselho de Administração da empresa até o mês que vem.

Atuando em diversos estados e no Distrito Federal, a empresa é responsável por 11 empreendimentos na capital federal, sendo sete em construção e quatro lançamentos, a maioria deles em áreas nobres da cidade, como o Setor Noroeste, Setor Hoteleiro Norte, Taguatinga e Águas Claras. Juntos, somam investimentos de mais de R$ 900 milhões.

SETE TORRES

Em um deles, no Setor Hoteleiro Norte, será erguido um complexo comercial-hoteleiro, com sete torres projetadas. Trata-se do último terreno livre do setor. Se se levarem em con- sideração apenas os investimentos no DF, somam quase sete vezes o valor do prejuízo dado ao BRB. Não é à toa que os acionistas do banco decidiram que vão cobrar do empresário a conta da aquisição dos títulos sem valores.

Bode também é dono de um conglomerado de empresas de nome Sobrapar, que reúne empresas dos mais diversos setores, entre elas a Energisa, fornecedora de energia. Foi por intermédio da Sobrapar que ele arrematou, em 2007, em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o controle da João Fortes.

A empresa adquiriu 40% – percentual mínimo proposto no edital – do capital social da empresa de construção civil, dos quais 30% dos dez filhos do fundador da empresa, que permaneceram com 10% das ações . Nos anos seguintes, a construtora conseguiu aumentar em cerca de R$ 50 milhões o seu lucro líquido.

DOAÇÕES

Bode deslanchou nos negócios ainda na década de 1980 quando se juntou ao banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, um dos homens fortes do PSDB no Rio de Janeiro, ex-deputado e irmão do comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho. Na campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República em 2006, doou ao candidato tucano R$ 1 milhão.

Bode mantinha um banco de terrenos na capital carioca, comercializado em frações que acabou rendendo milhões. No final dos anos 90, o investidor já era comparado a Naji Nahas, megainvestidor que ficou conhecido por ter quebrado a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Torcedor fanático do Botafogo, Antonio José já tentou, até, comprar o clube.

Está projetada para uma das sete torres (a do meio) de Brasília uma escultura de um bode de ouro
Está projetada para uma das sete torres (a do meio) de Brasília uma escultura de um bode de ouro

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “O Bode anda solto em Brasília”

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