Anistia denuncia controle policial racista em Espanha (vídeo)

A Anistia Internacional denunciou em dezembro último o tratamento racista da polícia espanhola ao realizar vistorias aleatórias de identidade nas ruas, segundo um relatório da organização de direitos humanos apresentado em Madri.

O relatório, intitulado «Parar o racismo, não as pessoas: Perfis raciais e controle da imigração em Espanha», pede que o governo deixe de ignorar uma realidade que já havia sido denunciada por coletivos sociais.

«A polícia pode abordar pessoas que não parecem espanholas para comprovar sua identidade até quatro vezes diárias. Pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar ou situação», disse Izza Leghtas, da Anistia Internacional em Espanha.

«Afeta pessoas estrangeiras e cidadãos espanhóis de minorias étnicas. Não apenas é discriminatória e ilegal, mas também alimenta os preconceitos, porque quem os presencia dá por certo que as vítimas participam em atividades ilícitas», acrescentou Leghtas.

A legislação espanhola permite que a polícia comprove a identidade de uma pessoa em vias ou espaços públicos quando existe preocupação em relação à segurança, como acontece quando se cometeu um crime numa região em particular.

No entanto, segundo a Anistia, que segue esse tema desde 2009, os controles são feitos de forma deliberada e habitual com estrangeiros sem que exista nenhum motivo. Veja vídeo de testemunhais das vítimas 

Agredido pelo nazista Roberto Alonso de Varga, branco e católico, o congolês  Miwa Buene Monake ficou tetraplégico
Agredido pelo nazista Roberto Alonso de Varga, branco e católico, o congolês Miwa Buene Monake ficou tetraplégico

Miwa Buene Monake é negro. Esse imigrante congolês sofreu uma agressão racista tão brutal que o deixou tetraplégico; por pouco não morreu.

O agressor, Roberto Alonso de Varga, está em liberdade. Miwa Buene, economista, trabalhava como intérprete na Associação Católica de Migrações, em Madri, e levava uma vida normal até que, em 10 de fevereiro, foi atacado por jovem neonazista que lhe desferiu um violento golpe na nuca que resultou em uma lesão medular e o deixou tetraplégico.

Miwa, ao denunciar sua situação à imprensa, disse que seu agressor, que tem antecedentes penais graves como roubo, além de agressão à autoridade, ao atacá-lo, gritou: “Viva a Espanha! E você, macaco, seu lugar não é aqui, é no zoológico”.


Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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