Plebiscito para mudar o triste nome de Curionópolis, cidade pelada de suas riquezas

Lideranças políticas do sudeste do Pará querem mudar o nome da cidade de Curionópolis, desfazendo homenagem concedida pelo Estado, na década de 1980, ao coronel reformado do Exército Sebastião Rodrigues Curió, conhecido como major Curió. O município, a 800 km de Belém, foi criado em 1988 por lei estadual, a partir do desmembramento de Marabá.

No início do mês, o deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) apresentou projeto de plebiscito para que a população local diga se quer alterar o nome da cidade para Serra Leste. O coronel Curió, à época major, combateu a guerrilha do Araguaia (1972-1975) nessa região. Ele foi denunciado neste mês pelo Ministério Público Federal, que o acusa do sequestro de militantes políticos de esquerda durante a guerrilha. A Justiça Federal de primeira instância já rejeitou a ação, mas a Procuradoria anunciou que irá recorrer.

Foi interventor militar na década de oitenta, e prefeito por dois mandatos (2000-2008). Na última eleição, Curió foi cassado sob acusação de compra de votos.

O Ministério Público paraense já havia notificado Prefeitura e Câmara Municipal de Curionópolis pedindo providências para a mudança do nome. Uma lei federal de 1977 proíbe atribuir nome de pessoa viva a bem público. Deputados da região dizem acreditar na aprovação do projeto com folga. “É imoral uma cidade ter o nome de pessoa com uma história de truculência e violência“, disse a deputada Bernadete ten Caten (PT), relatora do projeto em comissão da Casa. (Fonte: jornal Agora)

Acontece que o nome Serra Leste não é bem aceito. Que o povo escolha o nome.

O blog Zé Dudu, das regiões sul e sudeste do Pará, fez uma pesquisa, e informa que a população está dividida. Isso no voto aberto, apesar do mando do coronelismo político.

O projeto foi proposto às comissões e deve ir a plenário em, no máximo, 45 dias. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PA) fixou o prazo de 180 dias para a realização do plebiscito, a contar da data de publicação do Decreto Legislativo. Segundo avalia Coimbra, a mudança de nome poderia dar maior visibilidade ao município, tanto no cenário nacional, como no internacional. “Curionópolis tem uma das principais jazidas de ouro do Pará, com capacidade para produzir, inicialmente, 150 toneladas. Grande parte de suas riquezas fica na região de Serra Leste, onde a Vale implantou o projeto para explorar os minérios. É preciso considerar isso”.

A região de Curionópolis é originária do município de Marabá que surgiu de um aglomerado de pessoas que, no final da década de 1970, se estabeleceram no km 30 da rodovia PA-275, com a expectativa de trabalho na implantação do projeto Ferro Carajás, construção da estrada de ferro Carajás – Ponta da Madeira ou em busca de ouro, nas dezenas de pequenos garimpos que proliferam na região.

Com a ocorrência de ouro na Serra Pelada, no início dos anos 1980, Curionópolis consolidou-se como núcleo de apoio a essa atividade e como local de residência das mulheres e filhos de garimpeiros que, à época, eram impedidos de ingressar na Serra Pelada. Desenvolveram, assim, um comércio diversificado e um setor de serviços – hotéis, pensões, bares, lanchonetes, boates e outros – que consolidou Curionópolis como povoação, definitiva, mesmo depois que o ouro daquele garimpo escasseou. Leia os comentários. 

Projetos minerários

“Tudo que foi discutido e prometido para a Coomigasp está sendo cumprido”. A declaração foi feita pelo diretor da empresa Colossus, Darci Lindenmayer, ao destacar que o cronograma das obras na Nova Mina de Serra Pelada está dentro do prazo estabelecido na planta do projeto. Darci disse que a chegada da Colossus e de outras empresas de mineração à Curionópolis tem mudado a economia da região. “Não só o nosso projeto, como também os projetos da Vale e da Serra Leste, têm trazido desenvolvimento muito grande  à vila de Serra Pelada e para o município de Curionópolis”, frisou. O diretor da Colossus destacou ainda os benefícios que estão chegando na vila de Serra Pelada. “Só para se ter uma ideia, dos 700 funcionários do projeto, a maioria é residente na vila de Serra Pelada. E hoje já vemos melhorias na vila com a abertura de novos bares, restaurantes, lojas de confecção  e supermercados. Portanto, hoje, a vila de Serra Pelada tem uma fisionomia bem diferente da que ela tinha há dois anos atrás”, afirmou.

A empresa Colossus, de origem canadense, fez parceria com a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) para exploração mecanizada de ouro, platina e paládio no antigo garimpo. Serão investidos no projeto R$ 220 milhões. Novos equipamentos recém-chegados já estão em atividade: dois caminhões betoneiras tornados e um caminhão alfa 20 responsável pela projeção de concreto no teto do túnel no interior da mina. Além desses modernos equipamentos, o projeto acaba de receber um moinho de bolas, que é responsável pela diminuição do material proveniente da mina e pelo seu preparo para as próximas etapas de concentração.

Que piada: “abertura de novos bares, restaurantes…”

A vocação mineral do Pará esta cada vez mais consolidada e o município de Curionópolis é um dos mais importantes neste cenário. Informa a Prefeitura: O município vai receber além do Projeto Serra Leste, o Projeto Cristalino de exploração de cobre, e Serra Pelada para a lavra de ouro.

A reserva inicial da mina de Ferro Serra Leste é de 29 milhões de toneladas de minério de ferro, com estimativa de produção de 2 milhões de toneladas por ano. O minério de ferro granulado produzido atenderá o mercado das siderúrgicas de ferro gusa (componente do aço) em Marabá, Açailândia, Santa Inês e Rosário. O empreendimento possibilitará a criação de novos postos de trabalho arrecadação de impostos, já que no segundo ano de operação, Curionópolis passa a ganhar anualmente uma injeção de tributos entre royalties e impostos incrementando assim, a economia local e investimento em projetos sociais. Esses são alguns dos benefícios que a implantação da mina de Ferro Serra Leste vai trazer para o município de Curionópolis.

O projeto Cristalino será implantado na divisa entre as cidades de Canaã dos Carajás e Curionópolis, porém a mina onde será feita a extração de cobre, ficara no município de Curionópolis. Com investimentos na ordem de 1 bilhão de dólares, e com estimativa prevista para 24 anos de produção, o Projeto Cristalino é um empreendimento da Vale na exploração de cobre na região e vai suprir a demanda do mercado nacional tornando o Brasil auto – suficiente na produção e comercialização desse minério.

Pobre Curionópolis pobre, pra onde vai tua riqueza? As fotos mostram o atraso da cidade sempre roubada.

Serra Pelada

Por Thais Pacievitch

De maio a novembro de 1980 foram retirados aproximadamente 7 toneladas de ouro. No fim do ano de 1981, já haviam sido retiradas do garimpo mais de 10 toneladas de ouro. No fim de dois anos, o estreito riacho já havia se transformado em um buraco de 100 metros de profundidade, do tamanho do estádio do Maracanã.

Devido à grande concentração de pessoas e a falta de infraestrutura na região, em maio de 1980 foi enviado o interventor federal Sebastião Rodrigues de Moura, o “major Curió”. Foi ele o responsável pela organização dentro e nos arredores do garimpo.

As condições de trabalho eram extremamente precárias. Quanto maior a profundidade do garimpo, maior o perigo de acidentes com garimpeiros. Os desmoronamentos eram frequentes. As escadas improvisadas e danificadas; os perigosos barrancos que se formaram e a inalação de poeira rica em monóxido de ferro tiraram a vida de muitos garimpeiros.

Leia mais

Pelada Serra Pelada...
Pelada Serra Pelada...

Escreve Breno Castro Alves:

Estima-se que cerca de 120 mil pessoas viveram ali no auge do garimpo, de 82 a 86. A primeira pepita foi encontrada em dezembro de 79, por um vaqueiro da fazenda do velho Genésio, dono daquelas terras.

Em sua parte mais profunda, o lago de Serra Pelada possui 120 metros de profundidade. Acima d’água não difere muito de um lago comum, talvez exceto pela montanha recortada que se projeta morro acima. Abaixo da superfície, depositadas no solo envenenado de mercúrio, estão sobrepostas camadas de ouro, lama, sangue e ganância humana.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s