Juiz não leu os autos para favorecer um pirata fundiário

Escreve Aguirre Talento:

Um juiz que condenou um editor de jornal do Pará a pagar indenização a um empresário usou o Facebook para atacar o próprio jornalista.

Titular da 1ª Vara Cível de Belém, Amilcar Guimarães, 50, escreveu na rede social ter pensado em “dar sopapos” no jornalista Lúcio Flávio Pinto, 62, a quem chamou de “pateta” e “canalha”.

“Pensei em dar-lhe uns sopapos, mas não sei brigar fisicamente; pensei em processá-lo judicialmente, mas não confio na Justiça”, disse.

À Folha Guimarães confirmou a autoria das mensagens -disse tê-las escrito como forma de “protestar”. “Fui satanizado [por Flávio Pinto].”

Em 2005, o juiz condenou o jornalista a pagar R$ 8.000 ao empresário Cecílio do Rego Almeida como indenização por danos morais.

O motivo da condenação foi reportagem do “Jornal Pessoal”, mantido há 25 anos por Flávio Pinto, que citou Almeida, fundador do grupo C.R. Almeida, como “pirata fundiário”, acusando-o de grilagem (apropriação ilegal) de terras na Amazônia.

Flávio Pinto é crítico do Judiciário paraense e questiona o fato de o juiz ter dado sentença ao processo, de 400 páginas, em um final de semana, quando substituía o juiz responsável.

Guimarães reconheceu à Folha não ter lido todos os autos. “O que é que o juiz precisa além de ler a reportagem?”, questionou.

No Facebook, o juiz pede que seja denunciado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para ser aposentado compulsoriamente. “Não seria punição, seria um prêmio.”

Numa coisa o juiz Amilcar Guimarães acertou: não existe punição hoje para juiz corrupto. Nem para desembargador. Nem para promotor. Nem para procurador. Nem para ministro de uma superior ou supremo tribunal. O que pode acontece com um togado “vagabundo” ou “bandido”? Receber uma advertência, ser suspenso, ou ter a punição máxima da aposentadoria, que “não seria punição, seria um prêmio”.

Quem não quer se aposentar mais cedo, recebendo o salário intergral mais penduricalhos?

O caso de C.R. Almeida já denunciei aqui. Veja link ladrão de terra. Ou grileiro.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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