Banqueiro americano é condenado por fraude de US$ 7 bilhões. Enquanto isso, no Brasil…

Salvatore Cacciola, o turista da justiça
Salvatore Cacciola, o turista da justiça

Reportagem de Kara Scannel, do jornal britânico Financial Times, informa que o bilionário banqueiro texano Allen Stanford foi condenado pelo desvio de US$ 7 bilhões em dinheiro de seus clientes, para financiar um estilo de vida suntuoso que incluía patrocínio a um torneio internacional de críquete, iates e propriedades em ilhas caribenhas.

Depois de um julgamento de seis semanas em Houston, e no quinto dia de deliberação dos jurados, os oito homens e quatro mulheres que formam o júri votaram pela condenação de Stanford, por 13 das 14 acusações que lhe eram movidas, entre as quais fraude, conluio e obstrução de investigação da Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA). Ele só foi considerado inocente em uma acusação de fraude telegráfica.

Stanford, que está preso desde junho de 2009, pode ser sentenciado a mais de uma década na penitenciária, dentro de alguns meses. O veredicto surgiu um dia depois que os jurados informaram ao juiz que existia impasse quanto a algumas das acusações.

A condenação resolve ao menos em parte o caso de Stanford, que gerou manchetes internacionais e causou embaraços à SEC, criticada por ter descoberto ainda em 1997 que o banco de Stanford em Antígua estava cometendo fraudes, e ainda assim ter demorado mais de uma década a iniciar uma investigação.

Para os milhares de clientes do banco de Stanford que adquiriram certificados de depósito, o veredicto pode representar uma vitória sem substância. Nenhum dos 20 mil clientes recebeu dinheiro do liquidante apontado pelo tribunal para comandar a dissolução do banco.

O liquidante abriu processos contra corretoras que atendiam Stanford, contra o governo da Líbia e contra os comitês nacionais de arrecadação de verbas de campanha dos partidos Democrata e Republicano. Os processos solicitam mais de US$ 600 milhões em restituições.

Angela Shaw, fundadora da Stanford Victims Coalition, que representa os clientes prejudicados, disse que “é um momento agridoce. Estou feliz por ele ter sido condenado por ao menos 13 das 14 acusações, mas os investidores continuam batalhando para recuperar ao menos uma parcela de seu dinheiro, passados mais de três anos. A nossa Justiça é assim”.

Para Stanford, o veredicto marca uma dramática queda. Em 2006, ele foi consagrado cavaleiro e dois anos mais tarde entrou na lista de norte-americanos mais ricos compilada pela revista “Forbes”, com patrimônio líquido estimado em US$ 2,2 bilhões. Ele perdeu seu título de cavaleiro, e os ativos que lhe restavam foram confiscados ou estão congelados.

Os promotores acusaram Stanford de iludir os investidores em seu material de marketing, prometendo que seu dinheiro seria investido em ativos de fácil negociação, tais como ações e títulos, quando em lugar disso ele utilizou o dinheiro para comprar dois jornais no Caribe, ilhas e aviões.

Também pagou subornos, transferidos via contas em bancos suíços, a um fiscal de Antiqua, para que interferisse na investigação da SEC, e também a um contador local, para que ele aprovasse as contas do banco e suas transações de empréstimo. (Tribuna da Imprensa)

No Brasil, jamais, em tempo algum, esse bandido seria preso. Aqui seria paparicado pelos três poderes e pela imprensa conservadora. Aqui vale a antiga máxima: quem rouba um tostão, ladrão; quem rouba um bilhão, barão. A quadrilha de Salvatore Cacciola está solta. Ele e seus comparsas da diretoria do Banco Central. Idem Daniel Dantas e outros, inclusive doleiros como Naji Nahas, e aquele todo poderoso do TRT do Rio de Janeiro. Em 2002, ano do incêndio criminoso do tribunal, mandou um avião de dólares para os paraísos fiscais. Um incêndio que queimou os gabinetes dos juízes com os processos. Foi uma fogueira de dinheiro.

Cacciola preso em Mônaco
Cacciola preso em Mônaco

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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