Não dá mais o Brasil continuar sendo chantageado por militares

Gilmar Crestani:

Enquanto não houver punição exemplar para esta subespécie de gente, os perigos da volta da ditadura permanecem. Eles não são ninguém sem uma arma na mão. Covardes!

Eduardo Guimarães:

O Brasil está pagando mico diante do mundo. Em um momento em que sobressai como nação próspera e desenvolvida, pergunta-se em que país civilizado pouco mais de 300 militares aposentados podem adotar o tom grandiloqüente desses ex-torturadores da ditadura diante da decisão soberana do Poder Legislativo de criar a Comissão da Verdade.

E o que é pior: contando com órgãos de imprensa como porta-vozes…

Que representatividade essas três centenas de milicos de pijama têm para desafiarem uma presidente eleita com 55 milhões de votos? Chega a ser piada. Eles só representam a si mesmos. Se fossem 3 mil, ainda não representariam nada. Se fossem 30 milhões, ainda não representariam nada. A menos que vencessem eleições.

O fato inegável é o de que está havendo uma chantagem, uma ameaça de golpe. É simples assim, pois a lei que permite a militares da reserva emitirem opiniões políticas não inclui insubordinação contra superiores e, segundo a Constituição, Dilma Rousseff é superior de todo aquele que recebe soldo de militar.

Os militares jubilados podem ficar livres para dizer o que quiserem contanto que deixem definitivamente a corporação que a presidente da República comanda. Enquanto forem pagos pelos contribuintes não podem insultá-la e questionar a sua autoridade. E muito menos exigirem que se cale.

A Comissão da Verdade foi criada pelo Poder Legislativo seguindo todos os ritos legais. Não foi um golpe como o de 1964, mas uma decisão desse Poder absolutamente legítima, portanto inquestionável. Leia mais 

Tancredo Neves e Getúlio Vargas
Tancredo Neves e Getúlio Vargas

Paulo Henrique Amorim:

Na madrugada de 24 de agosto de 1954, o Ministério de Vargas se reuniu no Palácio do Catete para enfrentar a crise que Carlos Lacerda tinha engendrado com o atentato ao Major Vaz.

O jovem Ministro da Justiça, Tancredo Neves, sugeriu que o Ministro da Guerra, Zenóbio da Costa, formasse uma patrulha de confiança, com homens da Vila Militar, e prendesse os cabeças do Golpe.

Treze generais haviam assinado um Manifesto que pedia a renúncia de Vargas.

Só um deles comandava tropa.

Zenóbio, o Ministro da Guerra, que conspirava para continuar Ministro do governo seguinte, disse a Tancredo: se fizermos isso, seremos esmagados.

Tancredo respondeu:

– Poucos homens têm na vida a oportunidade de morrer por uma boa causa, general. Por que não aproveitamos esta ?

Leia mais. A História é boa conselheira.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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