Que o Brasil imite: FBI recupera 9 mil milhões de euros com combate ao crime financeiro

A polícia federal dos Estados Unidos informou na segunda-feira que o seu combate ao crime económico-financeiro conduziu a mais de 3.000 condenações e restituições de 12.000 milhões de dólares (9.000 milhões de euros), noticia a AP.

Estes resultados, relativos ao ano fiscal 2011 [1 de outubro de 2010 – 30 de setembro de 2011] foram obtidos em investigações do FBI a crimes de insider trading [benefícios conseguidos indevidamente com informação privilegiada], esquemas de ‘pirâmides’ e fraudes no sector da saúde, que vitimaram milhares de investidores e as finanças públicas.

Em conferência de imprensa, vista como um aviso geral à comunidade empresarial e particular aos operadores de Wall Street, o FBI divulgou gravações sonoras e vídeos de algumas acções dos seus operacionais contra o complexo crime financeiro.

A polícia federal apresentou também um novo serviço público, através de um anúncio protagonizado pelo actor Michael Douglas, que no filme Wall Street protagoniza um operador financeiro ganancioso, que actua no lado errado da lei.

«A nossa economia depende cada vez mais do sucesso e da integridade dos mercados financeiros», aparece Douglas a dizer no anúncio. «Se um negócio parece bom demais para ser verdade, provavelmente é. Para mais informações sobre como pode ajudar a identificar fraudes bolsistas, ou a alertar para casos de ‘insider trading’, contacte o gabinete local do FBI», adianta o aviso do novo serviço.

O subdirector do FBI, Kevin Perkins, chefe da divisão de investigação criminal, disse que a agência mudou o seu foco dos casos com pouca importância, em termos de dólares, para o crime financeiro e que contratou 200 contabilistas forenses, que vão caçar actividades criminais nos registos financeiros.

O chefe da secção de Crimes Financeiros do FBI, Timothy Gallagher, adiantou que a polícia federal passou a operar um centro de informação financeira, onde identifica os locais para onde necessita enviar agentes para investigar ameaças emergentes no crime financeiro.

As maiores restituições ordenadas pelos tribunais, em resultado da acção do FBI, ocorreram nos mercados de capitais e de mercadorias (8.800 milhões de dólares), onde também se registaram 394 condenações.

As fraudes com créditos imobiliários motivaram a devolução de 1.400 milhões de dólares e 1.082 condenações, enquanto na área dos cuidados de saúde se registaram 736 condenações e a devolução de 1.200 milhões de dólares.

Lusa/SOL

A nova Bolívia governada pela maioria indígena

“A institucionalidade do poder mudou-se para o âmbito plebeu e indígena” 
Em entrevista ao La Jornada, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Liñera, diz que o fato fundamental que se viveu no atual processo de transformação política na Bolívia é que os indígenas, que são maioria demográfica, hoje são ministros e ministras, deputados, senadores, diretores de empresas públicas, redatores de constituições, magistrados da justiça, governadores e presidente. Este fato, destca, é a maior revolução social e igualitária acontecida na Bolívia desde a sua fundação. 

Hoje, para influir no orçamento do Estado, para saber a agenda governamental não adianta nada disputar com altos funcionários do Fundo Monetário, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, das embaixadas norte-americanas ou europeias. Hoje os circuitos do poder estatal passam pelos debates e decisões das assembleias indígenas, operárias e de bairros.

Os sujeitos da política e a institucionalidade real do poder mudaram-se para o âmbito plebeu e indígena. Os chamados anteriormente “cenários de conflito”, como sindicatos e comunidades, hoje são os espaços do poder fático do Estado. E os anteriormente condenados à subalternidade silenciosa hoje são os sujeitos decisórios da trama política.

Este fato da abertura do horizonte de possibilidade histórica dos indígenas, de poder ser agricultores, operários, pedreiros, empregadas, mas também chanceleres, senadores, ministras ou juízes supremos, é a maior revolução social e igualitária acontecida na Bolívia desde sua fundação. “Índios no poder”, é a frase seca e depreciativa com que as classes dominantes deslocadas anunciam a hecatombe destes seis anos.

O controle dos recursos naturais que estava em mãos estrangeiras foi recuperado para colocá-lo em mãos do Estado, dirigido pelo movimento indígena (gás, petróleo, parte dos minerais, água, energia elétrica), ao mesmo tempo em que outros recursos, como a terra fiscal, o latifúndio e os bosques, passaram ao controle de comunidades e povos indígenas e camponeses.

Hoje o Estado é o principal gerador de riqueza do país, e essa riqueza não é valorizada como capital. Ela é redistribuída na sociedade através de bônus, rendas e benefícios sociais diretos da população, além do congelamento das tarifas dos serviços básicos, os combustíveis e a subvenção da produção agrária. O estado tenta priorizar a riqueza como valor de uso, acima do valor de troca. Nesse sentido, ele não se comporta como um capitalista coletivo próprio do capitalismo de Estado, mas como um redistribuidor de riquezas coletivas entre as classes trabalhadoras e em um estimulador das capacidades materiais, técnicas e associativas dos modos de produção camponeses, comunitários e artesanais urbanos.

– O governo norteamericano nunca aceitou que as nações latino-americanas possam definir seu destino porque sempre considerou que formamos parte da área de influência política, para sua segurança territorial, e somos seu centro de reserva de riquezas, naturais e sociais. Qualquer dissidência deste enfoque colonial coloca a nação insurgente na mira de ataque. A soberania dos povos é o inimigo número um da política norte-americana.

Isso aconteceu com a Bolívia nestes seis anos. Nós não temos nada contra o governo norte-americano nem contra seu povo. Mas não aceitamos que ninguém, absolutamente ninguém de fora nos venha dizer o que temos que fazer, falar ou pensar. E quando, como governo de movimentos sociais, começamos a assentar as bases materiais da soberania estatal ao nacionalizar o gás; quando rompemos com a vergonhosa influência das embaixadas nas decisões ministeriais; quando definimos uma política de coesão nacional enfrentando abertamente as tendências separatistas latentes em oligarquias regionais, a embaixada dos Estados Unidos não só apoiou financeiramente as forças conservadoras, mas as organizou e dirigiu politicamente, em uma brutal ingerência em assuntos internos. Isso nos obrigou a expulsar o embaixador e depois a agência antidrogas desse país (DEA).

Desde então os mecanismos de conspiração se tornaram mais sofisticados: usam organizações não-governamentais, se infiltram através de terceiros nas agrupações indígenas, dividem e projetam lideranças paralelas no campo popular, como ficou recentemente demonstrado mediante o fluxo de ligações da própria embaixada a alguns dirigentes indígenas da marcha do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), no ano passado.

(Transcrevi trechos)

Márcio Mendes sobre os meninos de rua: “Faz um limpa, derrete tudo e faz sabão” (com vídeo)

 

Esse sujeito Márcio Mendes precisa ser denunciado. Pelo comportamento nazista. Nos campos de concentração fabricavam sabão com cadáveres dos judeus.

“Faz uma limpa” é uma recomendação de extermínio, preconceituosa, racista (a maioria dos meninos de rua são negros), desumana, cruel, coisa de alma sebosa.

Quem é esse Márcio Mendes, diretor de um tv (acreditem) educativa, concessão do Governo Federal, que devia ser cassada, e  que come verbas públicas?

Escreve Leandro Fortes, no Brasília Eu Vi:

Oban cabocla nos rincões dos Mendes

Esse fascitóide de quinta categoria se chama Márcio Mendes. É um técnico rural que a família do ministro Gilmar Mendes, do STF, mantém como cão raivoso na emissora de TV do clã para atacar adversários e inimigos políticos. A TV Diamante, retransmissora do SBT, é, acreditem, uma concessão de TV educativa apropriada por uma universidade da família do ministro. Mendes, vcs sabem, é o algoz do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício de jornalistas. Vejam esse vídeo e vocês vão entender, finalmente, a razão. Esse cretino que apresenta esse programa propõe a criação de um grupo de extermínimo para matar meninos de rua. Pede ajuda de empresários e comerciantes para montar um “sindicato do crime”, uma espécie de Operação Bandeirante cabocla, para “do nada” desaparecer com esses meninos. E preconiza: “Faz um limpa, derrete tudo e faz sabão”.

Repito: trata-se de transmissão em concessionária educativa na TV da família de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Eu denunciei isso, faz dois anos, na CartaCapital, em uma das matérias sobre os repetidos golpes que o clã dos Mendes dá para derrubar o prefeito eleito da cidade de Diamantino, que ousou vencer a família do ministro nas urnas. Vamos ver o que diz o Diamantino a respeito.Vamos ver o que diz o Ministério das Comunicações e a Polícia Federal, a respeito. Seria bom saber qual a posição do SBT, também.

 

Conheça a história dos desenhos que ilustra o comentário

 

MEC divulgou o piso nacional dos professores da rede pública: R$ 1.451 por mês. Compare com um soldado raso

Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou na noite desta segunda-feira um estudo sobre o impacto do novo piso do magistério anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) hoje, correspondente a R$ 1.451 para uma jornada de 40 horas semanais. O aumento representa um reajuste de 22,22% sobre o valor do ano anterior e o estudo demonstra que o impacto financeiro anual nas finanças dos municípios (incluindo Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras capitais), em função da Lei do Piso é de R$ 5,4 bilhões – o que incorpora o pagamento do novo salário para os professores e o cumprimento da nova carga horária.

O que incorpora, isto é, acrescentaram  os salários de médicos, de engenheiros e outros profissionais de nível universitário.

Basta combater a corrupção que o dinheiro aparece. O dinheiro depositado nos paraísos fiscais com obras e serviços fantasmas. E os altos salários do prefeito, vereadores e secretários e cargos comissionados, viagens e festanças.

Uma empregada doméstica principiante ganha o mínimo de 610 reais, mais vale transporte e alimentação. Uma diarista, 50 reais em Boa Viagem, Recife.

Um soldado da polícia militar de Brasília: 4.507 reais e 10 centavos.

Vide tabela noutros estados. Isso em novembro último. Vários governadores deram aumento para a polícia antes do carnaval.

Que um professor deve fazer? Deixar a vaidade de lado, e pedir equiparação salarial com o soldo de um soldado. Que um cabo, um sargento, um tenente, um capitão, um major, um tenente-coronel,  um coronel ganha, obviamente, muito mais.

Não estou a alardear que um policial possui um salário justo. Um coronel não recebe nem a metade de um supersalário além do teto constitucional. Isso fica para os marajás. Que são muitos neste Brasil desconforme: de funcionários públicos bilionários.

O que acontece e quem paga as orgias nos camarotes do carnaval

As prefeituras e os governos estaduais gastam fortunas com o carnaval. Escandalosamente com as orgias nos camarotes.

O carnaval é assim: o povo frevando, sambando no asfalto, entre vendedores de latas de cerveja e carne no espeto. Ou atrás do trio elétrico, entre cordas seguradas por seguranças.

O povo paga tudo que consome. Ou trabalha duro. Que o carnaval não é para todo mundo.

Os lá de cima dos três poderes, e os empresários e os lobistas ficam nos camarotes fechados, com ar condicionado, pagos por indústrias ou pelos governos estaduais e municipais.

Rola tudo, tudo mesmo, e de graça. Tem garota bonita começando a vida fácil, prostitutas de luxo, uísque contrabandeado, e comidas de todos os tipos. Tem até cama para se comer deitado. Como nas bacanais romanas.

O carnaval dos camarotes do Recife foi cenário de filme. Veja na vida real Marcelo Nascimento Rocha dando entrevista (vídeo). No filme aparecem cenas mais ousadas. De sexo. Hetero e gay.

Escreve Ricardo Calil:

A mentira mais cinematográfica de Marcelo foi se passar por Henrique Constantino, filho do dono da Gol Linhas Aéreas, no Recifolia, o Carnaval fora de época da capital pernambucana, em 2001. Durante quatro dias, Marcelo foi paparicado por ricos e famosos (ele garante ter transado com duas celebridades), entrevistado por Amaury Jr., fotografado para colunas sociais. De quebra, pilotou um helicóptero e um jato particular cedidos por empresários que se tornaram íntimos do executivo da Gol em questão de minutos. Foi preso no Rio de Janeiro pela polícia federal, depois de transportar no tal jatinho os globais Marcos Frota, Carolina Dieckmann e Ricardo Macchi.

Foi a farsa da Gol que deu fama a Marcelo. Ele virou vilão em matérias da imprensa e herói em diversas comunidades da internet. E sua história foi contada no livro VIPs – Histórias reais de um mentiroso, de Mariana Caltabiano, grande sucesso editorial, com mais de 50 mil exemplares vendidos.

Dez anos depois do mítico Recifolia, os golpes de Marcelo ganharam revival em grande estilo, envoltos em nomes de grife. No filme VIPs,  (veja trailer) ficção livremente inspirada na história de Marcelo, com produção da O2, de Fernando Meirelles, direção de Toniko Melo, roteiro de Braulio Mantovani e Wagner Moura no papel principal.

Amaury Jr. entrevista o falso filho do dono da Gol em dois momentos no Recifolia

Amaury Jr. entrevista o falso filho do dono da Gol no Recifolia

Nenê Constantino
Nenê Constantino

MARCELO FOI PRESO E CONSTANTINO CONTINUA SOLTO

Marcelo foi trancafiado na penitenciária central de Cuiabá (MT), onde está encarcerado desde 2009. Parece que continua lá.

Em março, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou Nenê Constantino, fundador da companhia aérea Gol, a prisão domiciliar em sua residência de Brasília. Constantino respondeu a dois processos, nos quais é acusado de tentativa de assassinato do ex-genro, Eduardo de Queiroz, em 2008, e da morte do líder comunitário Márcio Leonardo, em 2001.

Itamar Franco num camarote do carnaval do Rio
Itamar Franco num camarote do carnaval do Rio

Esse carnaval do presidente virou notícia internacional

CPI: o PT e o PC do B vão fugir?

Paulo Henrique Amorim

 

O ansioso blogueiro foi à Brasília e o passarinho pousou na janela do Hotel (não é o Nahoum, da Veja).

E deu o seguinte recado:

O Marco Maia, presidente da Câmara e que adora ser deputado, quer se reeleger.

E não quer levar pra casa a culpa do enterro da CPI da Privataria.

O passarinho contou que, logo após o deputado Protógenes – que, por duas vezes, convidou o Daniel Dantas e seu associado Naji Nahas para uma temporada no PF Hilton – conseguiu o número regimental mínimo de assinaturas, líderes do PT e do PC do B o procuraram, “no particular”, para desaconselhar a instalação da CPI.

Maia teria perguntado, mas por que, então, deputados do PT – na sua maioria – e do PC do B – assinaram ?

Bem, quer dizer, sabe como é, não entendi bem a sua pergunta, deixa isso pra lá.

Maia teria ponderado: quem pediu essa CPI foram as nossas bases, o eleitor que vai votar – ou não – na gente em 2014 …

Bem, quer dizer, como assim?, sabe como é, depois te falo.

O Privataria Tucana do Amaury Ribeiro Junior vendeu que nem cuia de chimarrão no Rio Grande do Sul.

O passarinho está seguramente informado de que, depois do Carnaval, Maia vai chamar os líderes do PT às falas:

– Agora, os amigos vão lá fora e digam que não querem a CPI da Privataria.

O passarinho disse ao ansioso blogueiro:

O Maia não que ser o coveiro dessa CPI.

Ele fez a parte dele.

Agora, que o PT e o PC do B saiam de cima do muro.

O passarinho bateu asas e voou.

Troika Europa. “Veneno por um copo” ou “às colheres”

 

“O Bloco de Esquerda não prefere a solução do veneno por um copo ou do veneno às colheres. Nós queremos combater a crise e os fatores de destruição da economia”, afirmou Francisco Louçã.

O líder do Bloco falava aos jornalistas depois da audiência com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento, no âmbito da preparação do Conselho Europeu desta semana.

“Vemos esta política europeia com imensa preocupação e com a ambição que uma resposta europeia sensata para o crescimento e para o emprego contrarie, enfrente e recupere a responsabilidade democrática contra esta visão de destruição da Europa que tem sido conseguida pela senhora Merkel”, argumentou.

Francisco Louçã sublinhou que “toda a União sofre com o aumento galopante do desemprego provocado pelas medidas de austeridade” e que “a política da União Europeia, conduzida pelo diretório da senhora Merkel, é uma política de destruição de emprego, de redução dos salários”.

“Como todos podem perceber, se os salários baixarem e as pensões baixarem e se os preços aumentarem e se os impostos aumentarem, as economias ficarão muito mais pequenas, é o que está a acontecer em Portugal”, afirmou.