Senhores Prefeitos de Olinda e Recife, paguem em dia aos músicos do nosso carnaval

por Ivan Maurício

Em Lisboa, a Câmara Municipal exibe o orgulho de ter o fado, desde novembro do ano passado, como Patrimônio Imaterial da Humanidade, título concedido pela UNESCO.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ( francês L’Organização des Nations Unies pour l’éducation, la Science et la cultura: UNESCO) é uma agência especializada das Nações Unidas (ONU).

Tudo indica que, no final do ano, o mesmo acontecerá com o frevo pernambucano.

A UNESCO e o mundo vão reconhecer a força de um ritmo musical que nasceu do povo.

O passo dos capoeiristas que vieram escravizados da África. O som dos músicos da gloriosa banda da Polícia Militar de Pernambuco. De compositores pobres e negros como Levino Ferreira e Lídio Macacão (reformador de sofá e semi-analfabeto que compunha de memória belezas musicais como “Três da Tarde”, “Música, Mulheres e Flores”, “Regresso de Donzelinhos”, entre tantas).

Isso para citar apenas dois.

E nunca esquecer de FelinhoCapitão ZuzinhaZumbaMathias da Rocha,Nelson FerreiraCapibaJ. MichilesMaestro DudaMaestro Ademir Araújo (Formiga), SpockMaestro José MenezesMaestro Nunes,Maestro Edson RodriguesMaestro OseásGetúlio CavalcantiEdgar Moraes e tantos outros a quem desde já peço desculpas por confiar apenas na minha memória, emoção e indignação.

O povo já fez a sua parte. Transformou o frevo num ritmo alucinante e alegre capaz de arrastar multidões pelas ruas, praças e ladeiras do mundo.

Agora, resta aos nossos governantes respeitarem os músicos das orquestras de frevo contratados para animar o carnaval. Não podemos continuar atrasando (tem músicos com dois anos de atraso) o pagamentos pelos enormes serviços prestados por esses profissionais do frevo.

A humilhação ainda é maior quando todos sabemos que os músicos de outros ritmos e outros estados são contratados para tocar em nosso carnaval e são pagos rigorosamente em dia.

Senhores Prefeiros, Senhores Governantes, respeitem o frevo e o povo pernambucano.

Uma boa notícia do Ivan: nosso frevo Patrimônio da Humanidade. Sempre lutei por este reconhecimento.
Talvez assim termine a discriminação.
Para os pernambucanos pagam um tostão (ou ficam no fiado). Para os de fora, um milhão.
Não esquecer que a prefeitura, para cantar no Natal, contratou os irmãos Sandy e Jr por meio milhão. E João Paulo disse para os críticos que achava pouco.
É assim que as autoridades preservam nossa cultura. 
Que tipo de música natalina cantam os manos globais? Que música pernambucana?
Pagou 480 mil de cachê. Acontece que sempre existem outras despesas. Por fora. (T.A.)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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