Trucidamento de Mário Rodolfo Marques Lopes. Todo blogueiro ameaçado de morte

Um terceiro atentado mata o jornalista e editor-chefe do site Vassouras na NetMário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, morto a tiro juntamente com sua namorada, Maria Aparecida Guimarães, em Barra do Piraí (Rio de Janeiro), na noite de 8 a 9 de fevereiro último.

Mário Randolfo Masques Lopes historiou no Vassouras na Net como sofreu o primeiro atentado, quando levou cinco tiros na cabeça, em Vassouras, onde residia.

Veja o vídeo com o título “Jornalista ressuscita em Vassouras”.  

O segundo atentado aconteceu em 6 de julho de 2011. Vendo que a polícia e a justiça de Vassouras jamais descobririam nada, e que o crime continuaria encoberto, decidiu fugir da cidade para morar em Barra do Piraí.

Mas os assassinos foram sequestrar Mario Randolfo Marques Lopes em Barra do Piraí, e decididos a matar bem matado, sem nenhuma possibilidade de uma nova “ressureição”.

A inércia da polícia e do judiciário do Rio de Janeiro precisa ser investigada, pela Polícia Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça.

Publica o portal internacional “Jornalismo sem Fronteiras”:

“Embora a motivação do crime esteja ainda por estabelecer, Mário Randolfo Marques Lopes era conhecido pelas inimizades causadas por suas repetidas denúncias de casos de corrupção, envolvendo por vezes empresários e políticos locais. Um delegado e um juiz chegaram mesmo a processá-lo por ‘calúnia’ e ‘difamação”.

Todo blogueiro precisa denunciar esse crime repetido, e covarde e hediondo, para não ser a próxima vítima.

 

Reportagem sobre o assassinatopublicada no Diário do Vale, em 09/02/2012

O jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, e a companheira dele, Maria Aparecida Guimarães, foram assassinados na madrugada de hoje (9), por volta de 1h30, em Barra do Piraí. Eles teriam sido rendidos na casa da mulher, no Centro, e levados até a localidade conhecida como Estrada das Rosas, no bairro Minuano, onde foram executados. Cada uma das vítimas foi atingida com um tiro a queima roupa no ouvido.

O duplo homicídio foi registrado na 88ª DP (Barra do Piraí), mas ainda não há informações sobre suspeitos e as circunstâncias do crime. A polícia não conseguiu testemunhas do crime. A PM foi acionada ao local através de uma denuncia anônima que informava que uma mulher estaria caída as margens da BR 393. Ao chegar no local, os policiais encontraram o casal que só foi identificado na manhã de hoje. Segundo policiais militares do 10º Batalhão, a mulher era magra, branca, vestia calça jeans, blusa estampada e sandália. Já o jornalista estava vestindo calça jeans, blusa estampada e botas.
De acordo com informações da polícia, o crime é de difícil investigação já que o jornalista possuía muitos inimigos, e todos os seus conflitos foram estabelecidos na cidade de Valença – onde trabalhava. No site que administrava (www.vassourasnanet.net), o jornalista publicava matérias polêmicas e denunciava supostas irregularidades envolvendo órgãos, autoridades e políticos.

Leia mais: http://comunicatudo.blogspot.com/2012/02/jornalista-e-assassinado-no-interior-do.html#ixzz1nArBNLY8
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Maria Aparecida Guimaraes
Maria Aparecida Guimaraes

 

Texto e vídeo feito por Mário Randolfo e publicado no Youtube em 07/08/2011:

A reportagem em questão foi publicada para registrar fatos importantes da mecânica do crime e evitar que eu sofresse um novo atentado, que poderia dessa vez ser fatal. E meu caixão não fosse rotulado com LATROCÍNIO. O que significaria mera fatalidade de eu estar na hora e no lugar errado e ter reagido ao assalto. Com isso, a indústria da pistolagem e os escandalosos desvios de verbas públicas permaneceriam nas sombras, longe dos holofotes.

Para um idealista guerreiro, morrer por uma causa, sabendo que haverá uma rigorosa investigação e providências que trarão mudanças significativas no combate a injustiça social, é mais do que uma honra. Mas ser enterrado dentro de um ritual de mentiras, de maneira torpe e banal, é uma desonra.

A matéria que por ora retiro do ar, foi feita com muita análise e um estudo detalhado do local e das circunstâncias do crime, embora o meu estado emocional já passasse do vermelho. Ela foi feita visando o futuro e com os pés nele, e a justiça ainda está no presente e vai demorar um pouco para chegar lá. Mas podem confiar que vai chegar.

Só eu sei o que passei e sei o que é morrer executado com vários tiros, dentro de uma covardia traiçoeira. E ninguém sabe o que é se esvair em sangue gritando pelo socorro de alguém que estava presente, mas quase pisou no cadáver e foi embora. Uma imagem traumática, sombria, daquela bolsa vermelha passando quase sobre o meu nariz e aquele vulto que eu achava que conhecia como a mais notável criatura. Não foi fácil nadar no próprio sangue e sentir que o ar estava acabando e a minha vida chegando ao fim.

Naquele momento, uma força misteriosa me agarrou pela cintura e me colocou de pé. Em seguida, me ajudou a dar alguns passos até a mesa onde estava a minha filmadora. Minha idéia era filmar a minha própria morte e relatar detalhes que esclarecessem o crime, evitando assim o assassinato de outros inocentes. Mas a máquina estava sem as baterias. Dali, a mesma força me arrastou para a varanda e pedi socorro aos funcionários da Policlínica. Depois desabei no chão, e sem reclamar, acompanhei a morte. Acordei três dias depois na UTI do Hospital Universitário. E ao abrir os olhos e me deparar com uma enfermeira me examinando com o olhar, como se eu fosse de outro mundo, perguntei-a como ela podia me ver e conversar com quem está morto.

Ao sair do hospital, passei a receber toda espécie de ameaças de morte, por telefone, pela internet e até mesmo recados, prometendo invadir meu esconderijo e me matar a facadas e com um tiro de escopeta no rosto. E para evitar que meu novo assassinato fosse novamente tipificado de latrocínio e tudo terminasse numa formidável pizza, exigi o máximo do meu péssimo estado de saúde e com muita dificuldade preparei a matéria e consegui colocá-la no ar. No período crucial, quem fez 24 horas por dia a minha segurança no HU foi a 4ª Companhia da Polícia Militar de Vassouras, mas é vergonhoso saber que o Estado deixou-me largado feito uma folha ao vento, sem tomar uma providência para resguardar a vida de um sobrevivente de um atentado. Até porque milícia e atentado demonstram um sistema enferrujado, que joga na lata do lixo os impostos que pagamos para ter segurança pública e uma vida digna.

(Transcrevi trechos. Leia mais) Presidente Dilma Rousseff, salve a vida de outros blogueiros. Ministra Eliana Calmon, salve a vida de outros blogueiros.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “Trucidamento de Mário Rodolfo Marques Lopes. Todo blogueiro ameaçado de morte”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s