Pinheirinho nos mostra que somos cegos nas mãos de monstros

Por Carlos A. Lungarzo

Pinheirinho expõe várias coisas: o lucro de empresas mafiosas para as quais uma onça de cimento vale mais do que milhares de vidas; os acordos espúrios entre prefeitos, governadores, juízes, unidos por interesses batizados com os nomes pomposos de “democracia”, “direito”, “livre empresa”, “determinação judicial”, etc.; e o enorme desrespeito à vida e aos direitos de milhares de homens, mulheres, crianças, idosos, doentes, enfim, de famílias, de seus animais de estimação, e de seus bens duramente conquistados ao longo de suas vidas. É uma enorme lição de brutalidade, contra movimentos de esquerda, que tentam levar até os pobres a consciência de seus direitos, para arrebentar essas lideranças até que não reste mais ninguém que possa falar.

É um drama que só difere dos grandes crimes contra da humanidade no tamanho, mas isso é apenas questão de tempo. São Paulo não é ainda o Sudão, a Palestina, o Congo, mas chegará aí logo, se a humanidade não consegue deter esses monstros, sob cujo poder infame estamos indefesos como cegos, surdos, paralisados.

O governador invoca a lei. Os inquisidores dizem que deve se cumprir a lei. Os esbirros armados, sedentos de sangue, intoxicados pelo cheiro da pólvora e do sangue e também por suas péssimas condições de vida, saem nas ruas para cumprir a lei. Eis as consequências:

Durante 4 meses planejaram a maneira mais implacável de arrancar Pinheirinho da face da terra, no estilo típico do governo israelense, que passa máquinas sobre o terreno em que os palestinos têm suas casas.
o O governo, a prefeitura de São José dos Campos, vários juízes, a patética juíza da vara cível, políticos mercenários, todos eles movidos por fios como marionetes dos banqueiros e incorporadores, fingem negociar. Estão ganhando tempo. Enquanto isso, os tribunais superiores abrem o caminho para eles.

o Mas atacam antes, enquanto parlamentares se empenhavam e conseguiam soluções adequadas que acreditavam estar em negociação. Os algozes não queriam e não querem negociação. Querem sangue daqueles miseráveis, cuja existência repugna aos carniceiros que habitam as luxuosas mansões paulistas.

o O plano é destruir tudo, e destroem:

As pessoas são expulsas a bala: de borracha (da PM?) e de chumbo (da Guarda Municipal?);

Moradores são baleados pelas costas e feridos indiscriminadamente por coronhadas e cassetetes;

AS CASAS DE MAIS DE 1.500 FAMÍLIAS SÃO DESTRUÍDAS POR TRATORES E INCENDIADAS COM TODOS OS BENS, MÓVEIS, DOCUMENTOS, ROUPAS, MATERIAL ESCOLAR, MEDICAMENTOS, ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, ETC. DESSAS 7.000 PESSOAS;

O defensor público é recebido a bala;

Os juízes ignoram as negociações, rasgam os documentos, cospem no rosto dos defensores e ordenam os policiais que sigam o massacre.

A polícia não precisa de estímulo: sua adrenalina cairá se não for alimentada por novas nuvens de pólvora e violência descontrolada contra seres humanos. É o high speed síndrome que tanto preocupa nos países civilizados.

Então, aquela ridícula e covarde caricatura das SS nazistas fere moradores, espanca crianças, estupra famílias, destrói tudo o que encontram. Sua demência assassina não se detém nem perante crianças, doentes e idosos, nem pessoas com dificuldades, nem indefesos animais de estimação. Eles têm síndrome de abstinência e todo ser vivo sacrificado servirá para saciá-los. Centenas de cachorros vagam famintos e feridos pelo cenário infernal de Pinheirinho. Milhares de brinquedos enlameados aparecem por todos lados, como aconteceu com os brinquedos que deixavam a crianças do Ghetto de Varsóvia.

São dois mil jagunços equipados como na guerra de Iraque, para combater 6000 pessoas desarmadas, vulneráveis, muitas delas doentes e impedidas, numerosas crianças e bichinhos domésticos. Os covardes mercenários descarregam o ódio de suas miseráveis almas (se é que têm) em pessoas indefesas. Para eles, é como uma equipe de químicos colocando veneno num formigueiro. É uma reedição do nazismo, do terrorismo de estado do oriente médio, de Ruanda e outros cenários que imaginamos afastados, que pensamos que são de outro lugar e de outro tempo.

Até uma semana atrás, havia quase 700 denúncias de abusos. Não sabemos quantas são hoje. As denúncias de Suplicy sobre abuso sexual, cinicamente negadas pelo secretário de segurança e a PM, aparecem cada vez mais concretas, mais palpáveis.

Pinheirinho é um modelo do verdadeiro crime contra a humanidade, numa sociedade cuja democracia, puramente nominal, puramente literária, reduzida a alguns símbolos e chavões em juridiquês, esconde uma sociedade escravocrata, dirigida por verdadeiros monstros, bajulada pela mídia que se aproveita da ingenuidade e estimula a ignorância dos leitores e expectadores para convencê-los das maiores mentiras. É uma mídia mercenária, mentirosa, vulgar, que em sua maioria semeia o ódio, que coloca o país do pré-sal entre os maiores produtores de lixo impresso.

(Transcrevi trechos) Importante ler e divugar.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s