Jovem estuprada várias vezes, por dois bandos da Rota, na ocupação militar de Pinheirinho

Conforme diversos portais já noticiaram: “as vítimas disseram que na noite de 22 de janeiro, no início da desocupação, vários policiais militares entraram em uma casa do Pinheirinho de modo “abrupto e violento”, rendendo agressivamente um jovem de 17 anos e sua mulher, de 26 anos. Havia seis pessoas na casa, inclusive um senhor de 87 anos. A jovem de 26 anos foi rendida, isolada dos demais moradores da casa e estuprada durante quatro horas pelos policias. No depoimento, ela afirma que “durante o ataque foi retirada da casa e, segundo ela própria, mais uma vez seviciada no interior de uma viatura cinza, que identificou como sendo do grupamento Rota”.

Atiraram até em jornalistas. Relata o jornalista Fábio M. Michel, Rede Brasil Atual:

Lúcia fazia a cobertura jornalística da operação policial e colhia depoimentos dos moradores expulsos de suas casas quando foi abordada pelo agente de segurança. Mesmo em ambientes de guerra, o trabalho de jornalistas deve ser respeitado. Mas mesmo depois de identificar-se como jornalista, mostrando gravador e credencial, além de permanecer imóvel e de braços erguidos, o guarda civil sacou a arma, apontando-a para a jornalista.

“Quando vi que tinha saído do raio de tiro do policial, comecei a gravar o que estava acontecendo e um dos moradores veio me falando ‘Ele atirou!’. Acabei sabendo por testemunhas que o guarda disparou contra mim duas vezes.”

A jornalista narra ainda que viu uma mulher grávida cair durante o corre-corre. “Não sei se ela foi atingida ou se tropeçou. Ela foi levada para o hospital, mas é impossível confirmar o que aconteceu com ela depois”, lamenta.

 

 

O advogado Toninho, que representa a Pinheirinho nas negociações, acabou de confirmar em ligação para o MTST: “Confirmamos a informação do senador Eduardo Suplicy: duas moças e um meninos foram agredidos pela ROTA, no dia 22 de fevereiro à noite.”

O MTST reafirma o repúdio à ação truculenta que tem se dado desde o domingo sangrento do dia 22, mas que de forma alguma acabou ali: há na região de São José dos Campos uma perseguição explícita aos militantes que tentam reorganizar as famílias despejadas. O companheiro Marrom tem sido perseguido pela PM e constantemente ameaçado.

Além disso, em conversa com o Toninho, foi relatado o aparecimento de um dos desaparecidos desde o massacre: o senhor Pedro Ivo Teles dos Santos está internado no Hospital Municipal na UTI, intubado após o traumatismo crânioencefálico causado pelo espancamento que sofreu no despejo no domingo sangrento.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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