O mensalão como desculpa para a impunidade

Durante encontro em Teresina, como revelou ontem o Estado, presidentes dos Tribunais de Justiça do País afirmaram que o STF está “emparedado” e sugeriram que “alguns réus” do mensalão estariam atuando para desestabilizar a Corte.

Como isso poderia acontecer? Os poderes executivo e legislativo da União e dos Estados não podem punir nenhum bandido togado. Como pode “emparedar”a justiça? Principalmente a Justiça Justiça que, na sua grande maioria prima pela honestidade, e nada tem a temer do Conselho Nacional de Justiça. Isso fica para quem tem rabo preso. Para os tribunais que estavam sendo investigados.

O mensalão é apenas uma das centenas de operações da Polícia Federal, que prendeu milhares de ladrões, eufemisticamente chamados de criminosos de colarinho branco, quando bandido é bandido. Sem essa de justiça PPV.

Criminosos impunes. Que vivem no luxo e na luxúria. Veja parte da lista 

Transcrevo da Wikipedia:

A primeira vez que a palavra “mensalão” foi grafada em um veículo de comunicação ocorreu no jornal Folha de S.Paulo, numa matéria do dia 6 de junho de 2005. A palavra, tal como ela é, foi utilizada também na mídia internacional sempre acompanhada de uma pseudo-tradução. Em espanhol como “mensalón” e em inglês como “big monthly allowance” (grande pagamento mensal) e “vote-buying” (compra de votos).

Seis anos de justiça tarda.

Entre 22 a 27 de agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF), o tribunal máximo do Brasil, iniciou o julgamento dos quarenta nomes denunciados pelo Procurador Geral da República, em 11 de abril de 2006. O STF recebeu praticamente todas as denúncias feitas contra cada um dos acusados, o que os fez passar da condição de denunciados à condição de réus no processo criminal, devendo defender-se das acusações que lhes foram imputadas perante a Justiça e, posteriormente, devendo ser julgados pelo STF.

Foi descoberto em julho de 2008, durante uma investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, que o Banco Opportunity foi uma das principais fontes de recursos do mensalão. Através do Banco Opportunity Daniel Dantas era o gestor da Brasil Telecom, controladora da Telemig e da Amazonia Telecom. As investigações apontaram que essas empresas de telefonia injetaram R$ 127 milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Marcos Valério, o que, segundo a PF, alimentava o Valerioduto, esquema de pagamento ilegal a parlamentares. A Polícia Federal pôde chegar a essa conclusão após a Justiça ter autorizado a quebra de sigilo do computador central do Banco Opportunity.

Em 2011, já depois do fim dos dois mandatos do presidente Lula, relatório final da Polícia Federal confirmou a existência do mensalão.

O documento de 332 páginas foi a mais importante peça produzida pelo governo federal para provar o esquema de desvio de dinheiro público e uso para a compra de apoio político no Congresso durante o Governo Lula. Dias depois, o real relatório veio à público mostrando que o documento não se tratava de um relatório final da Polícia Federal e sim uma investigação complementar feita a pedido do Ministério Público cujo objetivo era mapear as fontes de financiamento do valerioduto, e que o documento não comprovara a existência do “mensalão”.

 

Mensalinho tucano

No mais, informo que Marcos Valério era apenas um laranja, que ganhou duas agências de publicidade de presente: uma de um sobrinho do vice-presidente José Alencar, ambos falecidos; e outra do vice-governador de Minas Gerais, quando se originou o mensalinho.

A denúncia foi apresentada em novembro de 2007, em consequência das investigações para apurar o chamado mensalão. Azeredo, Valério e outros investigados seriam os responsáveis por um esquema que superfaturava contratos publicitários assinados pelo governo de Minas Gerais à época (1998) em que Azeredo era governador e disputava a reeleição. Ele foi derrotado por Itamar Franco.

O dinheiro excedente que não era gasto em publicidade era destinado à campanha de Azeredo. O Ministério Público calcula que pelo menos R$ 3,5 milhões foram desviados dos cofres públicos mineiros para a campanha do então governador. Posteriormente, essa forma de caixa 2 teria sido usada em âmbito nacional em campanhas do PT, dando origem à crise enfrentada pelo governo federal em 2005.

Segundo o STF, vários documentos instruem a denúncia, como laudos e relatórios de análise, trechos do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, além do depoimento de um dos acusados, o tesoureiro da campanha de Azeredo à reeleição, Cláudio Mourão.

Outras denúncias de mensalinho apareceram contra governadores de vários Estados. E os presidentes de tribunais nem aí. Os responsáveis pelos mensalinhos também continuam impunes. Idem o ex-detido, chamado de “capo”, Daniel Dantas, que teve dois habeas corpus relâmpagos do ministro Gilmar Mendes.

No encocntro de Teresina, disse o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF): “Vamos atuar pouco importando o aplauso ou a crítica”. E acresscentou: “O dia em que atuarmos de acordo com o clamor público estaremos mal”.

Dos três poderes, a Justiça é o único que não é eleito pelo povo. Os outros – o Executivo e o Legislativo – o povo julga com o voto.

A quem a Justiça presta contas?

Um presidente de Tribunal de Justiça estadual tem um poder absolutista. Veja 

Sermão da Montanha
Sermão da Montanha

Disse Jesus: “Bem- aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados”.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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