Afastado ( pra onde?) o desembargador Francisco de Assis Betti de Minas Gerais

Desembargador Francisco Betti
Desembargador Francisco Betti

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou denúncia e afastou do cargo, nesta quarta-feira (7), o desembargador Francisco de Assis Betti, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele é acusado de receber propina de empresa de consultoria em troca de liminares que liberavam valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a prefeituras em débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Afastado. Que diabo é afastado?

Afastar. Retirar para longe. Separar.

Afasta de mim este cálice.

Há algum tempo venho refletindo sobre a rogativa de Jesus “Pai, Afasta de mim
este cálice
” [1] , um pouco antes de Dele ser capturado pelos romanos.

O entendimento que tinha era um pedido para nos deixar longe de algum tipo de tentação, seja uma traição, uma ofensa ou ato ilícito, cometido pelo ego. “Não quero mais fazer isso, então me afaste de situações que eu poderia o fazê-lo“. Acredito que o meu pensamento esteja mudando, diante de tantos fatos, pois, não há como negar que somos seres que tem pré-disposições e tendências.

É até engraçado ver situações se repetirem constantemente. Hoje percebo com mais clareza, algumas situações insistentes. Certa vez fiquei quase uma semana recebendo, todo “o santo dia“, troco a mais em vários mercados e coletivos. Uma hora peguei o hábito de acusar e devolver o dinheiro. A partir da conquista deste hábito eu quase não mais recebo troco errado. Coincidência? Eu creio que não.

Me recordo especialmente desta rogativa quando o meu lado sombra resolve se mostrar, fazendo aquilo que tenho inclinações. Fugir de um vício é escondê-lo, como varrer o pó para baixo do tapete. Um dia ele terá que ser limpo e seria melhor que fosse o quanto antes.

Talvez a única forma de nos afastar do cálice seja ter contato com ele, para que naturalmente possamos o afastar.

Pai, afasta de mim este cálice, para que eu possa remover estas má inclinações da minha alma, e agora sei que o Senhor me expõe a todas elas para que eu possa, pela minha possa vontade, me afastar, vitorioso e contente por não precisar esconde-lo.

Em tempo, a letra de Chico Buarque, também inspirada nesta rogativa é
muito bela.

[1] – Marcos 14:36

17 prefeitos bandidos
presos e soltos

O STJ também começou a analisar a participação da desembargadora Ângela Maria Catão, também do TRF1, no esquema. No entanto, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Herman Benjamim. Até o momento, sete dos 15 ministros que compõem o colegiado já rejeitaram a denúncia, e uma ministra recebeu a denúncia apenas em relação ao crime de corrupção passiva. Após o pedido de vista, pode haver mudança no placar caso algum ministro decida voltar atrás.

A Operação Pasárgada resultou na prisão de 17 prefeitos de Minas Gerais e da Bahia. Segundo a Polícia Federal, o esquema gerou um rombo de pelo menos R$ 200 milhões nos cofres públicos.

Dinheiro roubado dos miseráveis que, na sua grande maioria, recebem pensões e aposentadorias de 545 reais.

200 milhões. Uma boa dinheirama no bolso de uma quadrilha de almas sebosas.

Nova denúncia

Nesta quarta, o Ministério Público Federal também apresentou ao STJ novas denúncias contra quatro conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Eles são suspeitos de contratar funcionários “fantasmas” e também foram investigados na Operação Pasárgada da PF.

O MPF não informou os nomes dos conselheiros. Na denúncia, foi pedido que eles fossem processados pelos crimes de falsidade ideológica, corrupção, peculato e prevaricação.

Segundo o MPF, a apuração revelou indícios de ligação entre uma organização criminosa e conselheiros do TCE-RJ que, supostamente, recebiam vantagens indevidas em troca de votos favoráveis na análise de contas municipais.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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