Campanha pelo voto do silêncio

Por que o Correio Braziliense chama um quadrilheiro de delator?
Parece uma defesa da Omertà, o voto do silêncio das máfias.

Os bandidos das quadrilhas de Brasília consideram Durval Barbosa um delator.
Delator é o que denuncia para receber uma paga ou satisfazer seu instinto mau.
Para não ser mau, traidor dos comparsas, dedo duro, alcaguete, Durval devia permanecer calado?

Um denunciante, um criminoso confesso, ajuda o Brasil a varrer a corrupção. O arrependimento de qualquer pecado vem com a confissão. Vale para qualquer religião.

O Brasil está repleto de bandidos calados. Que agem em silêncio.
Estão aí, numa boa, as quadrilhas do juiz Lalau, de Salvatore Cacciola.
Idem os traidores da Pátria nos leilões que presentearam a Vale do Rio Mais do Que Doce, fatiaram a Petrobras, e entregaram o nosso nióbio.

Essa gentalha não delata. Não informa nada. Nem para a Receita Federal. De quem é o dinheiro que apareceu com o nome de Paulo Maluf?

Defendem o Brasil do sigilo bancário, do sigilo fiscal, do segredo de justiça. O Brasil encoberto. O Brasil do segredo eterno.

Sem o testemunho de Durval Barbosa o Brasil perdia o leilão do palácio de Durval Barbosa.

Informa o Correio Braziliense: Uma mansão em área nobre de Brasília é a primeira chance de o contribuinte ver de volta aos cofres públicos parte dos recursos desviados por Durval Barbosa, o delator da Operação Caixa de Pandora. A Justiça vai leiloar, na próxima quinta-feira, uma casa na QL 10 do Lago Sul com 862,58 metros quadrados de área construída, em que cada tijolo foi pago com dinheiro de contratos de informática do Governo do Distrito Federal. O imóvel de luxo pertencia a Durval e, por decisão judicial, será vendido como medida para ressarcir parte do prejuízo causado pelo esquema de corrupção que vigorou na capital do país ao longo de 10 anos.

A casa em cor creme é coisa para milionários.

Avaliada pelos peritos judiciais em R$ 4,3 milhões, pode valer mais, segundo corretores consultados pela reportagem. Para começar, nunca chegou a ser habitada. É novinha em folha. No piso superior, o comprador poderá desfrutar de uma suíte com banheira de hidromassagem, closet e bela vista na varanda. Há ainda outra suíte, dois quartos, banheiro social, uma sala, lavabo e home theater. 

O primeiro andar é totalmente preparado para receber convidados em grandes eventos sociais. O projeto de arquitetura foi concebido justamente para oferecer um espaço de lazer. O terreno, uma ponta de picolé — o lote do fim da rua, que é o mais valorizado —, é localizado ao lado da casa em que Durval viveu com a família antes de se separar de Fabiani Barbosa Rodrigues, em 2009. A intenção do casal era ampliar a residência com uma área para festas, a ponto de a obra ter sido embargada pela administração regional do Lago Sul por configurar uma extensão ilegal da casa de Durval. 
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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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