É ético receber dinheiro do crime?

Do médico o dever de curar um criminoso. De salvar da morte. Mas não pode receber dinheiro manchado de sangue. Nem dinheiro, inclui a grana lavada, do tráfico. Para isso existem os hospitais públicos.

Acontece o mesmo com o advogado. Nenhum criminoso pode ficar sem defesa. Para isso existe a Justiça Gratuita, mantida com altos investimentos do poder executivo. Advogados pagos pelo povo.

Povo que, na maioria das vezes, fica sem assistência médica, jurídica, educacional. Povo que não tem sequer alimento, moradia.

Não é encargo do crime enriquecer nenhum advogado. Oportunidade para um faturamento extra. Que a Justiça indique, para os criminosos de colarinho (de) branco, um defensor público.

Um jornalista não pode esconder nenhuma versão de um acontecimento. Não importa o caso. Apresentar apenas uma fonte, seja um policial, um promotor, um advogado, um criminoso, seja quem for, constitui cumplicidade. Jornalismo não se faz com meia-verdade, com engavetamento de notícia, com balão-de-ensaio, nem release. Um jornalista jamais pode receber jabaculê.

Vale para outras profissões. Dinheiro sujo é dinheiro sujo. Ninguém de mãos limpas consegue tocar sem sujar a alma.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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