O alívio passageiro

O adiantamento do décimo terceiro alivia o sofrer do povo hoje.

E amanhã?

Amanhã o bolso continuará vazio.

Do Brasil a perversidade da previdência dos pobres.

E a benevolência, a opulência, o esbanjamento de vários fundos especiais, de desconhecida profundidade, para os marajás e Marias Candelária do executivo, do legislativo e do judiciário.

A previdência dos pobres, o INSS, paga pensões e aposentadorias miseráveis. O mínimo do mínimo. Que o governo tem que economizar dinheiro para pagar os juros da dívida – o imposto humilhante da vassalagem.

O dinheiro que sobra fica reservado para o luxo da corte, o gozo das elites e o enriquecimento rápido e ilícito dos eleitos.

O governo reserva o mínimo do mínimo para o salário mínimo do mínimo dos trabalhadores.

O mínimo do mínimo para as aposentadorias dos trabalhadores.

O mínimo do mínimo para as pensões das famílias dos trabalhadores.

Um mínimo que engana a fome.

Um mínimo que não compra as três refeições/dia.

Um mínimo que não compra medicamentos.

Um mínimo que não compra vestimentas.

Um mínimo de 545 reais.

Um mínimo igual ao do Haiti. Que o Brasil tortura seus filhos com o segundo ou terceiro pior salário mínimo do mundo.

Comparado com um brasileiro, um venezuelano tem vida de rei.

Um argentino, vida de príncipe.

Qualquer ditador das Arábias, qualquer país do chamado eixo do mal, paga melhores salários, pensões e aposentadorias para o povo.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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