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Posts Tagged ‘Talis Andrade’

Mil posts hoje. Jornalismo se faz com coragem e sonho

January 21, 2012 2 comments

Isso significa uma média de cem posts por mês. Sozinho, edito este blogue. Nada recebo.

Mas sou  imensamente gratificado. Pela leitura, pelas mensagens de apoio que recebo. Obrigado, amigo leitor.

 

 

 

 

 

 

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O SEQUESTRO DOS INOCENTES

November 6, 2011 Leave a comment

por Talis Andrade

Os oficiais de defunto
dos países do Cone Sul
desatam noivos e noivas
Retiram do sagrado fogo
dos lares as grávidas
do primeiro filho
para um secreto parto
na solidão do cárcere

Desumana trama
a prisão das jovens estudantes
escolhidas porque brancas e lindas
o corpo sadio
escolhidas por ser inteligentes
e acalentar uma semente
germinada em uma noite
o corpo pelo amor
iluminado

Desumana trama
da guarda herodiana
o sequestro dos primogênitos
adotados
por horrendas damas
estéreis a alma
estéreis o corpo

Que toda mulher
na dor do parto
relembre as jovens
assassinadas
o pacto de morte
o pacto de silêncio
do rapto dos inocentes

Relembre as jovens
covarde e cruelmente assassinadas
para que jamais possam
reivindicar a flor
que lhes arrancaram do ventre


Ilustração: Escuela de Mecánica de la Armada – ESMA,
a maternidade da ditadura Argentina, para o roubo dos nenens
Foto: Télam

Quebrando tabus literários

October 5, 2011 Leave a comment

Escreve Adriano Marcena , in O Vento É Sempre Áspero:

O poeta é um nervo que não suporta nem o prenúncio do vento. “A flor do sexo/ a lascívia/ a amante entrando quarto a dentro dos antigos olhos/ a faca fria/ a bala quente/ a ronda dos ricos/ a mulher que tropeça pela casa/ os gritos que não nos deixam em paz/ a profana recordação/ o enforcado da rainha preso à teia da ilusão…” Talis quebra tabus grudados em poetas. De sua pena contemporânea desnuda-se, diante de nossas retinas, o próprio enforcado. Leia mais

Miguel Palacín: “Cinco anos atrás não havia movimento indígena no Peru, agora somos atores”

August 16, 2011 Leave a comment

Miguel Palacín foi um dos fundadores da Confederação Nacional de Comunidades Afetadas pelas Mineradoras (CONACAMI), e hoje é o coordenador da Confederação Andina de Organizações Indígenas (CAOI). Leia a entrevista, ele historia o movimento indígena no Peru. Por Emma Gascó y Martín Cúneo.

Na Bolívia, antes do primeiro presidente indígena das Américas do Sul, do Norte e Central, Evo Morales, havia um apartheid social mais nojento e cruel que o do negro na África do Sul. Um apartheid que mantinha o mesmo modelo de escravidão do século XVI. Uma situação de exclusão social que permanece no Chile, na Colômbia, no Paraguai, no México e em todos os países da América Central. Coisa de branco, de crioulos quintas-colunas, de uma elite racista. Coisa do colonialismo, hojemente chamado de Globalização. Que nomeio de globalização unilateral.

ESQUIFE ENCARNADO

August 1, 2011 Leave a comment

poema de Talis Andrade

ESQUIFE ENCARNADO

1

Que cavaleiro reerguerá a bandeira
posto à prova nas batalhas
como apreendido o amor
no ventre ardente
a fornalha
em que se malha
o frio aço
da lâmina flamejante

Desde criança o vaticínio
trovejado pela espumante boca
do profeta
Montado em um cavalo branco
os pés nos estribos
na mão esquerda a bandeira
na mão direita a espada
para degolar os exércitos mercenários
os vendedores do Templo
os moedeiros falsos

Desde criança o sonho
vencer o ídolo de ouro
e o seu séqüito
O enlouquecido sonho
de mudar o mundo

2

Veio o demônio a morte
e tomou a espada
Os livros não ensinam
a espada
tem que ser fincada na pedra do sonho
de onde manarão fontes
cantantes símbolos do Verbo

Veio o demônio a morte
e tomou a bandeira
Os livros não ensinam
uma bandeira apenas um fetiche
de pano e haste
A bandeira tecida
para tremular ao vento
poderia ser pisoteada
pelas hostes inimigas

A bandeira da cor de papoula
cobre o caixão
A bandeira agitada nos estádios
saudada nas passarelas do samba
reverenciada nos terreiros de macumba e capoeira
a bandeira benzida nas procissões
a ensangüentada bandeira das passeatas e comícios
cobre o caixão

3

A vida poderia ter sido feita
de cousas rotineiras

O amor da namorada
no vestido encarnado
de mestra do pastoril
a cantar a vinda do Menino Jesus
que veio ao mundo
para nos salvar

O cuidado dos pais
que iam à missa
todos os domingos
as roupas engomadas
as consciências leves
dos pecados lavados
no confessionário

O romantismo dos camaradas
nas barricadas levantadas no ar
contra os daltônicos escribas da corte
O romantismo dos camaradas
nas barricadas cavadas no asfalto
contra os salários de fome

O dinheiro contado
da lista corrida
entre os companheiros
o dinheiro repartido
para comprar leite e pão
o dinheiro arrecadado para encomendar
as seis tábuas de um caixão
A vida teria sentido
o povo marchasse unido
para expulsar as quatro bestas espreitando
nas quatro esquinas do medo
a ganância do patronato
a covardia dos fura-greves
a brutalidade da polícia
a conivência da justiça
quatro bestas espreitando
coas presas sujas de sangue

4

Benfazeja realidade benfazeja
para quem vê os próprios interesses
E de crime em crime vai juntando
o precioso dinheiro
- o dinheiro indivisível e invisível
o dinheiro que não tem cor
o dinheiro que não tem cheiro
apenas o número secreto do dono

O povo coisa sem importância
As pistas dos latrocínios e pilhagens
desaparecem na lavagem do sangue dos inocentes
os cadáveres sob o peso do cimento
e do aço das obras públicas inacabadas
A lavagem do dinheiro nos bancos
clandestino batismo
dos adoradores do bezerro de ouro

5

Diante da glória passageira
o atordoante desespero
de não reconhecer as vermelhas nuances

Vermelhas a insígnia de fogo nos sambitos dos afogueados
a insígnia de seda dos filhos do Coração Sangrante de Jesus
a cruz da Ordem dos Templários
a cruz gamada dos soldados de Hitler
a bandeira dos operários de Lenine
a bandeira dos piratas
com a ampulheta a caveira e a espada

Vermelho o lenço amarrado
no pescoço dos revolucionários de Trinta
Vermelho o pedaço de pano
o sinal abominável
os leprosos carregavam
pendurado nas vestes brancas
Vermelho o laço de fita
no alto da cabeça da menina
para quem o poeta recitou
rimados versos de amor
em noites de serenatas

Como espanta
o controverso oportunismo
todos quererem uma bandeira
quando sequer entendem
o que seja vermelho


In livro Esquife Encarnado. A Tribuna, Recife, 1957.
Este é o poema título do livro Esquife Encarnado.
Livro publicado em parceria com Djalma Tavares, e premiado em Goa, em um Festival de Poesia Internacional.
Djalma, além de excelente poeta, era pintor. Capa e ilustrações do livro são de Djalma Tavares. De uma família de poetas. Irmão de Odorico e Cláudio Tavares, primo de Deolindo Tavares, e tio de Gladstone Bello e Carlos Pena Filho.

POEMA PELA PAZ

de Talis Andrade

Só os cegos não viram
a filha de Nazin
de porta em porta
pelo mundo
a coletar assinaturas
para que jamais exista
outra Hiroxima sobre a terra

Só os cegos não viram
os brinquedos devorados
Só os cegos não choram
a face mutilada da menina
tão bonita outrora


In livro Poemas. A Tribuna, Recife, 1957. Capa de Paulo Bruscky

A FAMÍLIA

Os mortos elevam as vozes
abafadas nas páginas
do álbum da família.
As conversas relembram
fatos imemoriais.
As conversas embalam
o sono que não vem.

_
In Cantiga para um Ícone Dourado, p. 31. Recife, Pool Editorial, 1977

o jornaleiro

April 14, 2011 Leave a comment

Pretendo realizar um estudo das capas dos jornais.

Mostrar que as meias-verdades principiam com a manchete principal.

Comecei no jornalismo menino ainda.

Sempre no batente.

Fui professor de Jornalismo, da Universidade Católica de Pernambuco, durante nove anos.

E diretor responsável de várias revistas e jornais das Províncias do Rio Grande do Norte e Pernambuco: A República, em Natal; Jornal do Comércio, Diário da Noite, Jornal da Semana, Correio da Manhã/ Sucursal, no Recife, cidade que moro.

Também me orgulha ter sido repórter especial, colunista político e editor do Diário de Pernambuco.

Tenho 74 anos. Nasci no dia 12 de janeiro, em Limoeiro, Pernambuco.

Sou aposentado pelo INSS, a previdência dos pobres, com uma pensão mensal de um salário mínimo.

Este o preço da honestidade no Brasil.

Pedi aposentadoria aos 70 anos.

Talis Andrade

talis.andrade@bol.com.br

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