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RS

 

O que sei de Alex Antunes? Nadinha de nada. Li na internet: “Jornalista, escritor e produtor musical, escreve ou já escreveu para a Rolling Stone, Veja, Folha Ilustrada, Bravo! e outras publicações. Foi diretor de redação das revistas Bizz e Set. Seu livro a Estratégia de Lilith foi adaptado para o cinema, no filme Augustas (em finalização). É estudioso de xamanismo e de rituais de transe”.

Produtor musical sempre usa dinheiro dos governos da União, estados, municípios e empresas estatais e privatizadas. Mais ainda quando faz cinema. Também não sei se é o caso de Alex Antunes.

A abertura de um filme parece mais uma lista de classificados de empresas multinacionais. Todo filme lava mais branco as faturas frias do mecenato brasileiro para desconto no imposto de renda. O Brasil produz assim uma cultura de esquentar faturas numa verdadeira feira e queima de dinheiro público, notadamente de impostos sonegados e vaidades e vaidades.

Passei muitas tardes de domingo, na tranquilidade da Várzea, no Recife, conversando com Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas, no seu velho casarão colonial de senhor de engenho. E questionei suas imunidades, isso antes de 64. E ele me respondeu: “Um líder só deve ser preso quando convém ao movimento”.

Aqui lembro a sabedoria de João Grilo. Graciliano Ramos saiu da cadeia de Vargas para trabalhar no DIP, convidado por Lourival Fontesque, o Goebbels de Getúlio Vargas.

Prestes, o líder máximo do comunismo no Brasil, também saiu da prisão para apoiar a volta de seu carcereiro à presidência.

No Brasil, da última ditadura militar, valeu o ame-o ou deixe-o. E muita gente brincou de exílio como Fernando Henrique. Saia e voltava quando queria. Milhares foram mortos. Principalmente camponeses, operários, negros e índios. E continuam sendo trucidados, principalmente os negros e os índios. Nunca se faz a contagem dos anônimos. Vide lista de desaparecidos, hojemente, no Brasil da ditadura judicial-policial nos Estados.

Os que tentaram a luta armada foram mortos. Escaparam os julgados pela justiça militar. Caso de Dilma Rousseff.

Os que deram uma de João Grilo foram salvos. Nem todos os funcionários do governo de Hitler eram nazistas. Nem todos os funcionários do governo de Stalin eram comunistas. Nem todos os soldados de Israel defendem o genocídio de Gaza.

E para completar, a contribuição do negro escravo na cultura do Brasil foi pequena, e está sendo destruída pela imposição da cultura estadunidense, via gêneros afro-culturais como rock and roll, blues, country, rhythm and blues, jazz, pop, techno, hip hop, soul, funk, inclusive a música religiosa (gospel) divulgada por igrejas Neopentecostais, apoiadas pela CIA e pela ditadura militar, como revide à Teologia da Libertação, apesar de seu criador ser um presbiteriano, o esquecido Rubem Alves, que também faleceu neste fatídico mês de julho de 2014.

“Jornalista e poeta, João Suassuna, pai de Ariano, escrevia para jornais do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Compunha versos e tocava violão, executando música do cancioneiro popular. Apaixonado pelas coisas do Sertão, mesmo quando presidente do Estado, costumava realizar festivais de violeiros em sua residência ou no palácio do governo. Estimulou a publicação de livros, entre os quais o romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida, que teve repercussão imediatamente ao seu lançamento”.

Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo. Wikipédia Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.

Nair de Tefé von Hoonholtz1 (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Considerada, por Hermes Lima e por artistas e intelectuais, a primeira caricaturista mulher do mundo.
Além disso, Nair de Tefé foi a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914 (Wikipédia)

Também de pele branca, Nair de Tefé, filha de barão e esposa do marechal presidente Hermes da Fonseca, “promovia saraus noutro palácio, o do Catete – o palácio presidencial da época -, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade. Sua paixão por música popular reunia amigos para recitais de modinhas.

As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Teffé a organizar um recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga (sua amiga). Foram feitos críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os ‘escândalos’ no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial do Brasil a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos. Rui Barbosa chegou a pronunciar o seguinte discurso no Senado Federal a 7.11.1914:

‘Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa de recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o Corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o Corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele, sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”

O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?

O que a mulata tem para oferecer no Globeleza e nas escolas de samba?

Não vejo nativismo (os índios eram chamados de negros da terra), negritude, nem brasilidade na Globeleza, nas escolas de samba da TV Globo, na música brega, no funk, nas revistas Rolling Stone, Veja, em Lilith, no monarquista e escravocrata Zambi.

Transcrevo o transe:

Suassuna, velho burro

por Alex Antunes

 

João Grilo e Nossa Senhora

João Grilo e Nossa Senhora

Me perguntei algumas vezes se deveria escrever este texto. Porque o principal que tenho a dizer sobre Ariano Suassuna é que ele era um velho burro e chato. E o homem, como se sabe, acabou de morrer – o que o eleva automaticamente aos píncaros da genialidade e da infalibilidade nos textos que se espalham pela imprensa.

Mau momento para lembrar o seu principal defeito: a profunda e total incompreensão da natureza da cultura pop. Eu tinha desistido de escrever. Mas eis que a televisão de domingo o mostra numa entrevista, atacando, com volúpia e deboche, Michael Jackson e Madonna, além da réplica da estátua da Liberdade na Barra da Tijuca.

Ora, é fácil concordar com ele que a réplica da estátua é um monumento à imbecilidade playba. E que Michael Jackson (esse trecho não passou no domingo) é digno de pena, pela forma como foi explorado e depois massacrado pela mesma indústria cultural.

Mas Suassuna os atacava pelas razões erradas. Não há “superioridade” da cultura brasileira, e em particular da nordestina, sobre a cultura pop internacional. Por uma razão muito simples: o sistema arquetípico sobre o qual elas se constroem é exatamente o mesmo.

A mesma graça que há nos modos e sotaques regionais pode ser vista em expressões culturais globais. A cultura pop é simplesmente o “folclore sintético”. O que está por trás do Batman, do Super Homem, dos filmes policiais negros da blaxploitation ou da Madonna são os mesmíssimos arquétipos que animam os mitos gregos do Monte Olimpo, as lendas dos orixás das religiões africanas ou os arcanos do Tarô.

Não é à toa que Suassuna implicou tanto com os tropicalistas (de maioria baiana) quanto com o manguebeat que surgiu no seu estado de adoção, Pernambuco. Dizia que falaria com Chico se ele tirasse o Science do nome, e que a música da Nação Zumbi era “de quarta categoria”.

Suassuna se irritava porque esses nordestinos decifraram as matrizes em comum que existem na cultura popular brasileira e em qualquer expressão cultural. Ao mesmo tempo em que escapavam do purismo elitista e castrador, propunham uma forma nacional, desinibida e não-colonizada de cultura pop.

Diz uma letra do Mundo Livre SA, “O Ariano e o Africano”, de 1998:
“Há quatro séculos a alma africana tem sido um motor
Da inquietação, da resistência, da transgressão
O negro sempre quis sair do gueto
Fugir da opressão fazendo história
Ganhando o mundo com estilo
E é assim que a alma africana sobrevive com brilho e vigor
Em todo o novo continente o africano foi levado para sofrer no norte e gerou,
entre outras coisas, o jazz, o blues, gospel, soul,
r&b, funk, rock’n’roll
No centro, o suor africano fomentou o mambo, o ska,
o calipso, a rumba, o reggae, dub, ragga,
o merengue e a lambada, dancehall e muito mais
Mas é o ariano que ignora o africano ou
é o africano que ignora o ariano?
E ao sul a inquietude negra fez nascer,
entre outros beats, o bumba, o maracatu, o afoxé,
o xote, o choro, o samba, o baião, o coco, a embolada
Entre outros, os Jacksons e os Ferreiras,
os Pixinguinhas e os Gonzagas,
as Lias, os Silvas e os Moreiras
A alma africana sempre esteve no olho do furacão
Dendê no bacalhau, legítima e generosa transgressão
É Dr. Dre e é maracatu
É hip hop e é Mestre Salu
Mas é o ariano que ignora o africano ou é o
africano que ignora o ariano?”

Ariano Suassuana

Ariano Suassuana

É um flagra perfeito da condição elitista de Suassuna, branco cristão e filho do governador assassinado da Paraíba em 1930, que abraçou concepções culturais marxistas, não para libertar a cultura popular mas, pelo contrário, para mantê-la sob controle.

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Suassuna era um artista inspirado. Surpreendentemente pop, a se julgar, por exemplo, pelo filme e microssérie da Globo “O Auto da Compadecida”. E o seu Movimento Armorial teve grande impacto na cultura pernambucana. Mas fazia sempre a trajetória inversa do tropicalismo, do manguebeat e do modernismo antropofágico – as mais generosas e brasileiras das expressões, exatamente pelo não-purismo.

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Suassuna não aceitava os aspectos bastardos da cultura popular; pelo contrário, queria adensá-la e refiná-la numa expressão erudita. Ou seja, como pensador cultural, era um conservador odioso. Declarava-se “inimigo da colonização e do poder do dinheiro”, mas ele mesmo um colonizador de consciências e um guardião do status quo.

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Não é de se estranhar que Ariano tenha sido membro-fundador, um dos “cardeais” do Conselho Nacional de Cultura. Uma estranha convergência entre intelectuais (inclusive de esquerda) e a ditadura militar entre 1967 e o anos 70, baseada na busca de uma identidade de Brasil com um sentido cívico, tradicionalista e otimista. Foi a experiência no Conselho que impulsionou Suassuna na organização do movimento Armorial em Recife.

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Acontece que o negro, ou qualquer oprimido que busca sua libertação na lida cultural, como bem explica a letra do Mundo Livre, é amigo da eletricidade, da cultura em movimento e reinvenção, da provocação bastarda e dessacralizada, da incorporação e inversão de termos pejorativos (funk, punk, junky, nigga etc) – e não do reconhecimento institucional.

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O momento mais memético de Suassuna na internet é um fruto, bastante humorístico, de seus equívocos. Em suas aulas-espetáculo gostava de contar o causo de um músico punk ou funk que cantou-lhe uma letra. Ela falava de modelos atômicos, dos físicos Rutherford e Bohr, de um cavalo morto e que “fora do buraco tudo é beira”. Naturalmente sua “interpretação” jocosa da tal letra virou um vídeo viral, o “Funk do Suassuna”.

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Reza a lenda que Suassuna se divertiu com a adaptação (parece que com o trocadilho no nome do bloco carnavalesco Arriano Sua Sunga ele já não lidou tão bem). E, mesmo brigado com o manguebeat, chorou copiosamente no velório de Chico Science. Seria essa sua dimensão humana e generosa.

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Mas sua teoria cultural elitista e (anti) popular continua inaceitável. O pior de dois mundos, a convergência da culpa cristã com a marxista. Se Michael Jackson e Madonna são meramente “lixo cultural”, como gostava de dizer de boca cheia, Ariano Suassuna era um velho burro, burro e burro.

 

Por Darío Pignotti

 

 Saad Murtadha

Saad Murtadha

Del gatillo fácil en las favelas a la represión política. La policía del estado de Río de Janeiro, que no responde al gobierno federal, espió y apresó a militantes opuestos a la Copa del Mundo reproduciendo las prácticas aplicadas cuando era el brazo auxiliar de las fuerzas armadas en la represión de la resistencia democrática durante la dictadura.

 

Los servicios de inteligencia policial violaron las comunicaciones y allanaron los domicilios de 23 activistas a quienes el Poder Judicial de Río acusó de formar parte de una “asociación ilícita”, equiparándolos con una banda de delincuentes que trafica drogas o realiza secuestros.
El lunes tres de los militantes, entre ellos la abogada Eloísa Samy, solicitaron y no recibieron asilo político en el consulado de Uruguay, del cual salieron acompañados por la diputada Janira Rocha que ayer repudió la “ina-ceptable persecución política existente en Río”, durante un acto convocado por la Orden de Abogados de Brasil bajo la consigna “En defensa de la democracia y contra la criminalización de la protesta”.

“Nuestra democracia no puede aceptar que haya zonas de excepción, los organismos del Estado no pueden hostilizar a la democracia”, planteó ayer Wadhih Damous, titular de la seccional carioca de la Comisión de la Verdad sobre los crímenes durante la dictadura, creada por la presidenta Dilma Rousseff, del Partido de los Trabajadores.

Es similar la persecución política que ocurre en San Pablo, donde surgieron las marchas en junio de 2013, cuya policía llegó a detener a varios “sospechosos” de violar la Ley de Seguridad Nacional, sancionada en 1983, dos años antes del fin del gobierno de facto.

Entre tanto, la policía carioca proseguía ayer con la cacería de activistas, en su mayoría jóvenes, iniciada hace una semana cuando el Partido de los Trabajadores (PT) divulgó una nota de repudio.

“La violencia del Estado y la intimidación tienen que ser rechazadas por todos los que defendemos la democracia… seremos intransigentes en la defensa de esas conquistas”, afirma el comunicado firmado por el presidente PT, Rui Falcao, miembro del comité de campaña para la reelección de Dilma Rousseff en las elecciones del 5 de octubre.

En el enérgico tono de la nota petista contra el apriete a los grupos rebeldes se insinúa la posición de la propia presidenta Rousseff, quien como jefa de Estado no tiene jurisdicción sobre las policías de las 27 provincias de la Federación, las cuales suman cerca de un millón de hombres en armas.

Ese número prácticamente triplica a las fuerzas federales (considerando militares y policía federal), a las cuales Rousseff convocó para reforzar la seguridad durante la Copa del Mundo en medio de rumores sobre paros de las policías locales. De hecho, la Unión suele ser rehén de esas policías que en su mayoría repiten el patrón de la de Río de Janeiro: corporaciones guiadas por sus propios intereses, formadas en escuelas que prácticamente no reformaron sus planes de estudios desde la dictadura, habitualmente vinculadas con el crimen organizado y tolerantes, cuando no cómplices, de los escuadrones de la muerte.

Lo nuevo es que en Río las fuerzas de seguridad conquistaron mayor poder territorial con la implantación desde 2008 de las Unidades de la Policía Pacificadora (UPP) con el pretexto de combatir al narcotráfico, al cual suelen dar cobijo a cambio de coimas.

Estos destacamentos de las UPP establecidos en una treintena de favelas se convirtieron en nichos de poder político donde la policía actúa a voluntad implantando una suerte de Estado de baja intensidad democrática al que deben allanarse los vecinos, degradados a la condición de ciudadanos de segunda.

En las multitudinarias marchas de 2013, que perdieron convocatoria durante el Mundial del mes pasado, se observó la participación de algunas agrupaciones surgidas en las favelas, donde es cada vez mayor el repudio a la ocupación policial con su lastre de torturas, asesinatos y, un dato inquietante, el creciente número de desapariciones de vecinos, entre ellos algunos dirigentes comunitarios.

De esos casos el más emblemático fue el del albañil Amarildo de Souza, que continúa desaparecido luego de haber sido secuestrado a mediados de 2013 por agentes que lo torturaron hasta la muerte en la sede de la UPP de la favela Rocinha. Una decena de policías fue procesada por la de-saparición del albañil, crimen que dio lugar a varios actos, uno realizado frente al palacio de la gobernación carioca durante la recepción ofrecida al papa Francisco en julio del año pasado.

Para el diputado Robson Leite, del PT, el acoso a los militantes prófugos desde que salieron del consulado uruguayo anteayer y los aprietes a los movimientos surgidos en las favelas son parte de una misma estrategia policial. “Esto que pasa hoy en Río es algo que viene aplicándose sistemáticamente, recordemos que ya en marzo hubo órdenes de detención masiva contra vecinos de la favela Maré… es fundamental la unión de los sectores progresistas para decir un sonoro no a todo esto.”

“Recordemos que los basureros en huelga fueron criminalizados, los profesores (en paro) fueron criminalizados y ahora los manifestantes fueron criminalizados”, citó ayer el parlamentario del PT.

Qualquer cidadão que faz greve, que reivindica, que protesta pode ser preso como terrorista. Nos 21 anos de ditadura era rotulado como subversivo/comunista, e sequestrado e assassinado.

No passado e no presente, a lista macabra de mortos, com a etiqueta de “desaparecidos”, falseia o número de vítimas.

Nenhum lugar, na ditadura militar, era seguro. Qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência. As polícias dos governadores de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro atuam descaradamente contra os direitos humanos.

E a justiça nem aí.

Para conhecer a Verdade bastava abrir os processos que correram no judiciário a partir de 64, notadamente nos tribunais militares.

O portal Terra mostra os documentos revelados pelos EUA

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Conheça mais os tempos da negra e corrupta escuridão. Clique aqui

Quais candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual vão lembrar os trucidamentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro. São milhares de desaparecidos.

Onde estão os assassinos de Márcia? Onde enterraram Amarildo?

 

Amarildo um ano

DIDi HELENE

DIDi HELENE

ESTEVÃO RIBEIRO

ESTEVÃO RIBEIRO

MARA OLIVEIRA

MARA OLIVEIRA

 HARETE

HARETE

Se tem vala comum no Rio de Janeiro, lá pode estar o corpo de Amarildo. Em Minas Gerais, o da amante do goleiro Bruno. E milhares e milhares de pessoas assassinadas pela polícia nos despejos, nas falsas resistências seguidas de morte. E os mortos por causa desconhecida e balas perdidas.

A ditadura policial do Brasil democrático oficializou imensas covas comuus de profundidade desconhecida, como se não bastassem os cemitérios clandestinos que se espalham por todo o país.

Comenta Gilmar Crestani: O PSDB não faz história, repete, como farsa. Dá continuidade ao que existia de pior ao que existia na ditabranda da Folha… É por isso que 20 anos de PSDB em São Paulo deveria também ser enterrado em vala comum. E nem vão poder lavar as mãos, porque conseguiram o impossível, racionamento de água no País da abundância d’água.

Alguém ainda lembra da história do bebê japonês da Yeda Crusius?! Este é PSDB do Aécio, do Serra, do Alckmin, do FHC.

Ministério Público de SP vai pedir exumação de ‘indigentes com RG’

Promotoria processará governo do Estado por enterrar pessoas identificadas em valas comuns

3.000 foram enterrados sem aviso às famílias nos últimos 15 anos em cemitérios da capital

por Reynaldo Turollo Jr. e Rogério Pagnande

O Ministério Público vai processar o governo de São Paulo por ter enterrado milhares de pessoas como indigentes, apesar de estarem identificadas quando morreram.

A ação será coletiva, isto é, movida em nome das cerca de 3.000 famílias que tiveram os corpos de seus parentes mandados para valas comuns da capital de 1999 para cá.

Além de indenizar as famílias, a ação pedirá à Justiça a exumação dos corpos e exames de DNA que comprovem a identidade dos mortos.

Como a Folha revelou ontem, os enterros foram feitos sem que as famílias fossem procuradas. Em alguns casos, elas buscavam por parentes mortos há 14 anos, como se estivessem desaparecidos.

Os promotores também querem a mudança dos procedimentos adotados pelo governo paulista, criando mecanismos para avisar as famílias.

Será provavelmente a maior ação já movida pelo Ministério Público contra o Estado de São Paulo –o processo poderá se estender a outras cidades, já que outros serviços funerários serão investigados.

A decisão de processar o Estado foi tomada após uma reunião de emergência no Ministério Público, depois da publicação da reportagem.

Participaram o procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, e a promotora Eliana Vendramini, que investiga o caso. Ela descobriu os chamados “indigentes com RG” durante uma investigação sobre desaparecidos.

Agora, a promotora está cruzando os nomes de desaparecidos do Estado com os cerca de 3.000 nomes de enterrados como indigentes.

“Nós estamos olhando um por um da lista para comunicar [parentes que ainda estiveram à procura]. Eu não encontro um nome para o que o Estado fez”, afirmou.

“[A ação pedirá para] exumar, fazer o DNA, retificar o registro [de óbito], trasladar o corpo e indenizar”, disse.

Os 3.000 corpos passaram pelo SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), ligado à Faculdade de Medicina da USP. O órgão faz autópsias em casos de mortes sem suspeita de violência, quando a causa dela ainda é desconhecida.

Foi o SVO quem mandou para valas públicas os corpos que não foram reclamados pelas famílias no prazo de 72 horas, valendo-se de uma norma instituída em 1993, no governo Fleury (PMDB), e mantida nos governos de Covas, Serra e Alckmin (PSDB).

A Promotoria questiona o fato de as famílias não terem sido procuradas, uma vez que todos os mortos estavam identificados, o que teria evitado as buscas sem fim.

Buscas como a da família de Cláudio Rocha, 53, que teve o pai desaparecido em 2000, mas até a semana passada ainda tinha esperança de encontrá-lo com vida. Foi Vendramini quem deu a Cláudio a notícia da morte do pai, ocorrida ainda naquele ano.

O governo não deve alterar a regra de 72 horas para reclamação de corpos antes do enterro, até por falta de geladeiras (leia nesta página).

O SVO afirma que segue a legislação, que não obriga o serviço a procurar as famílias. Até por isso não tem equipe para esse fim. Diz, porém, que está disposto a seguir as orientações da Promotoria.

Ficarão de fora da ação coletiva famílias que tiverem autorizado o enterro como indigente, por falta de condições financeiras. Para saber quantas foram, a Promotoria pedirá ao SVO documentos que provem o aval dos familiares.

 

 

Vala comum em Bergem-Bergem (ou Belsen) na Alemanha nazista

Vala comum em Bergem-Bergem (ou Belsen) na Alemanha nazista

Vala comum em Ruanda

Vala comum em Ruanda

Vala comum na Bósnia

Vala comum na Bósnia

marcha abertura

marcha o retorno

Esse movimento tortura nunca mais é besteira, que os soldados estaduais de Alckmin e Sérgio Cabral continuam com os sequestros, torturas e mortes.

Esse movimento ditadura nunca mais é besteira, que os tucanos não largam o poder em Minas Gerais desde a criação do mensalão tucano.

Esse movimento ditadura nunca mais é besteira, que os tucanos não largam o poder em São Paulo do metrô, cuja construção nunca termina, com vagões de propina.

O delegado Sérgio Fleury continua no mando da polícia de São Paulo.

Não tenha medo dos petistas, venha participar da marcha do Retorno, neste sábado, com o herói nosso cabo Anselmo. Ele estará presente.

Participe sem medo, que a apologia do golpe não é crime.

marcha 5

marcha 6

Que presidenciáveis condenam a marcha? Vote contra.

Esperamos os pronunciamentos de Marina Silva, Joaquim Barbosa, Fernando Henrique, Eduardo Campos, Lula da Silva, Michel Temer, Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves e os editoriais dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Estado de Minas e Correio Braziliense.

Via Dirce Lua Batista

por Helio Fernandes

Deputado Rubens Paiva

Deputado Rubens Paiva

Ele foi preso e massacrado por causa de imprudência de brasileiros exilados no Chile. Sabendo que todos os telefones estavam gravados, telefonaram de lá com afirmações que não podiam fazer de jeito algum. Uma hora depois, Rubens era sequestrado dentro de casa, jogado brutalmente num carro, Pontiac 1967.
Era feriado, dia da fundação da cidade, Rubens estava à vontade, sozinho em casa. Não teve tempo para coisa alguma, amarrado e “desaparecido” a partir daquele momento. Disseram que foi dirigindo o próprio carro, afirmação insensata e desinformada. Em nenhuma circunstância aqueles carrascos fariam o mínimo de concessão.
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Eu e ele, grandes amigos
Não apenas pessoais, mas de família. Rubens e sua admirável Eunice, eu e a indispensável Rosinha, frequentávamos as casas sem aviso, almoçávamos ou jantávamos. No verão daquele feriado, como acontecia todos os anos, ia para o sítio de um cunhado em Itaipava. Passava o fim de semana lá. Todos os meus filhos aprenderam a andar nesse sítio.
Cheguei por volta de 8 da noite, contei o que aconteceu com Rubens Paiva. Não sabia mais nada, não podia telefonar para ninguém.
Só na segunda-feira, 48 horas depois, já no jornal, comecei a desenrolar a meada do fim da vida de Rubens, que só em parte é delatada agora pelo Tenente Coronel Raymundo Ronaldo. (General na reserva). Apesar da ferocidade dos que tomaram o poder em 1964, o Exército estava completamente dividido, o que aconteceu sempre em todos os golpes e conspirações.
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O capitão que não chegou a general
O Exército de verdade, nem golpista nem torturador, nacionalista e autêntico, soube de tudo, mas não podia fazer nada. Centenas e centenas de oficiais tiveram as carreiras cortadas pelo fato de não concordarem com a violência, com a tortura e assassinato.
Os militares que dominavam tudo, foram notificados que não admitiriam que esse capitão chegasse a general, o máximo no Exército.
Promovido a Major e depois a Tenente Coronel, foi passado para a reserva, mocissimo. Como até 1965, todos os oficiais “que iam para casa” tinham direito a duas promoções, foi a coronel e a general para efeito de tratamento e de salário. Agora tenta se vingar ou se “acertar” consigo mesmo.
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A trajetória para a morte
Rubens Paiva morava numa casa da praia do Leblon, onde hoje é um edifício de 12 andares. Foram pela Praia de Botafogo, pegaram o Aterro do Flamengo, pela contramão chegaram ao Cisa, (em frente ao Santos Dumont), central de tortura da Aeronáutica. Tirado do carro aos bofetões, foi levado para o subterrâneo, onde começou a ser torturado.
Depois de algumas horas, constatando que ele sofria, mas não o suficiente, mudaram de local. O quartel ficava no centro de um grande jardim, cheio de árvores. Essas árvores ficavam num espaço circulado por pedaços de concreto. Rubens Paiva, já desacordado, amarrado no cano de descarga de um carro, foi rodando pelo jardim, com a cabeça sendo estraçalhada nas peças de concreto.
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O pânico dos assassinos
Rubens sangrava muito, dava a impressão de estar morto. O capitão que “comandava” pessoalmente a chacina, mandou um auxiliar telefonar para o DOI-Codi avisando “que estavam levando um prisioneiro”.
E o próprio capitão foi dirigindo o carro que em alta velocidade se encaminhou para a Barão de Mesquita, onde se localizava o DOI-Codi, comandado pelo general Orlando Geisel. O “presidente” era Médici que chefiou o momento mais tenebroso da ditadura, arbitrária, autoritária, atrabiliaria.
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Rubens estava morrendo
Chegou praticamente morto, faltava apenas o “toque final”, que deram com o prazer e a competência de sempre. E o capitão Raymundo do lado, vigiando e “imaginando” o que deveria ser feito. O Tenente Amilcar Lobo, médico que atendia presos do DOI, tentou salvar Rubens, ele já não tinha mais salvação.
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O Pelotão de Investigações Criminais
Esse Pelotão não era vizinho do DOI, e sim o quartel onde ficava o próprio órgão de tortura. O Exército só raramente prendia alguém, sua principal ocupação era a tortura. Conheço bem o local. Saiamos do carro da polícia civil, estávamos num largo enorme. Em frente, cartazes com um homem apontando para a frente com um dedo e apenas três letras grandes: “PIC”. Pelotão de Investigação Criminal, dono do local e não vizinho.
(No meu caso, os oficiais me gozavam, rindo muito. E diziam: “O senhor escreve contra nós, mas acaba sempre aqui”. Era verdade).
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A farsa burra
É impossível querer que torturadores também saibam pensar. Daí essa palhaçada do Volkswagen e da “reação dos terroristas” no Alto da Boavista. Isso já era conhecido, eu mesmo escrevi. O complemento importante, é a confissão do próprio assassino e das suas tentativas de esconder o crime. Sabe que na sua idade nada vai acontecer.
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Rubens não caberia num Volkswagen
O deputado assassinado não era gordo, mas grande e volumoso. Não entraria num fusca, nem mesmo no banco da frente, ainda mais no banco de trás. O Exército jamais teve qualquer órgão na Tijuca. E se estavam prendendo Rubens como “subversivo” (a palavra da moda na época), como admitir que ele estava sendo perseguido por “companheiros?”.
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O grande personagem que foi Rubens Paiva
Engenheiro tranquilo e bem sucedido, se elegeu deputado apenas para participar mais ativamente. Não precisava do mandato para nada, apenas complicava sua vida. Morava em São Paulo, tinha casa no Rio, e passou a ter apartamento em Brasília. Seus filhos eram pequenos, praticamente da idade dos meus.
(O filho de Rubens, Marcelo, hoje grande escritor, o de Fernando Gasparian, e dois meus, íamos habitualmente ao Maracanã. Apesar de muito pequenos, o trauma da morte do pai e do amigo, assassinado daquela forma, deixou marcas indeléveis).
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Onde estarão os restos de Rubens?
Muitos perguntam agora, “como o corpo de Rubens Paiva teria saído do DOI-Codi?”. Nenhuma dificuldade. A pergunta obrigatória: “Onde colocaram o corpo esquartejado do bravo Rubens Paiva?”. Acredito que nem o capitão criminoso confesso aposentado como general, pode saber alguma coisa do local.
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Individualmente, o assassinato do bravo lutador, o crime do século
Coletivamente, o covarde assassinato dos 60 guerrilheiros, é insuperável. Mas do ponto de vista da tortura e do assassinato execrável, nada se compara à morte e desaparecimento de Rubens Paiva.
Perdi um grande amigo, o país perdeu um filho bravo e pacífico, a História do
Brasil ganhou um grande personagem.
 
PS – Espero que estes fatos, rigorosamente verdadeiros, contribuam para a consagração histórica. Da mesma forma como consagrado na minha memória.
trajetória

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O que mata mais no Brasil violento: morte matada ou morte morrida? A polícia mata, a milícia mata, o assaltante de rua mata, o trânsito mata. É um país de assassinos. Dos desaparecidos. Dos cemitérios clandestinos. Da escravidão. Dos atestados de óbito por causa desconhecida. Das 500 mil crianças prostitutas condenadas a morrer antes da maioridade. Dos filhos da rua e dos f.d.p. nos mais altos cargos dos cinco poderes: o econômico, o judiciário, o executivo, o legislativo, a imprensa.

Dou um exemplo desta semana: assassinaram três jornalistas. Que indenização vão receber as famílias dos mortos?

Sei que um brasileiro vale menos que um argentino. Eis a prova:

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Tragedia en Mendoza: pagarán $700 mil por cada víctima fatal del accidente en San Martín

Se calcula que esa cifra deberán abonar los dueños del camión que protagonizó el choque que provocó 16 muertes. Sólo con los fallecidos, el monto ronda los $11 millones. Podría ser más si los sobrevivientes deciden hacer demandas.

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Ignacio Zavala Tello
zavala.ignacio@diariouno.net.ar

Casi $11 millones deberán pagar las empresas brasileñas propietarias del camión y el semirremolque que protagonizaron la denominada “tragedia de la ruta 7” en San Martín. La cifra se calcula sólo para las víctimas fatales, pero ascendería si quienes sobrevivieron anteponen medidas judiciales.

Mientras continúan las pericias para intentar determinar si el camionero Genesio Mariano (35) realmente estaba bajo los efectos de alcohol y drogas como afirmaron varios testigos, el representante legal de las compañías brasileñas en Mendoza le confirmó a Diario UNO que deberán desembolsar unos $700 mil por víctima. Así, sólo por las 15 víctimas fatales (sin contar al camionero, que fue quien ocasionó el siniestro), la suma ascendería a los $10 millones y medio.

“El monto del pago (de las indemnizaciones), ya sea por un arreglo o por sentencia firme que se determine, a ojo experimentado, en promedio va a rondar los $700 mil por víctima. Podrá ser menos o más, dependiendo de cada caso”, especificó Alejandro Miguel Nacevich, representante legal de ACM Transportes y Toso Limitada. Ese monto incluiría los conceptos de daños moral y psicológico, y lucro cesante.

El abogado precisó que, si bien siempre se mencionó a ACM como la propietaria del camión, tanto el chofer como el tractor pertenecían a Toso. Esta empresa alquilaba el semirremolque de ACM, pero ambas serán las responsables legales en caso de que lo determine la Justicia.

Más aportes a la investigación

Según explicó Nacevich, el martes pasado, los dueños de ambas empresas brasileñas llegaron a Mendoza para ponerse a disposición del fiscal que investiga el tremendo siniestro vial.

“Nos apersonamos en la fiscalía de San Martín, adjuntamos la póliza de seguro de responsabilidad civil que les exigen a las empresas de transporte internacional por daños a terceros y vimos el vehículo siniestrado”, detalló el letrado.

De acuerdo con la versión de Nacevich, entre esos aportes también figura el informe de GPS, que echará luz sobre el recorrido que realizó Mariano entre las 15 y las 17.30, lapso en el que se genera el vacío investigativo.

De acuerdo con la información del sistema satelital, los propietarios de ACM indicaron que el enorme transporte de cargas circulaba a unos 50 kilómetros por hora y no a más de 100 como indicaron fuentes policiales tras el incidente. Nacevich indicó que la velocidad no será determinante, debido a que los efectos son los mismos. “Quedó molido. Evidentemente, despacio no iba. Además, están las imágenes de los testigos presenciales donde uno ve que el camión no iba despacio. Si iba a 50 o a 200 (km/h) lo va a determinar una pericia mecánica. De todas maneras, en la responsabilidad y en la indemnización no hace diferencia”, sentenció el abogado especializado en comercio internacional y transporte.

Respecto de la hipótesis que plantearon los empresarios brasileños de que su chofer había sido asaltado, el abogado mendocino se atajó: “No lo descarto, pero tampoco lo afirmo”.

Identifican los dos últimos cuerpos

Una semana pasó y sólo entonces los 16 fallecidos tras el siniestro vial pudieron ser identificados. Ayer se confirmó que el cadáver masculino, que no podía ser individualizado por no contar con muestras de ADN que cotejar, es del camionero brasileño y que el cuerpo femenino es de una turista norteamericana.

Genesio Mariano, el chofer oriundo de Brasil, fue identificado luego de que su medio hermano Roberto Fernandes de Jezuz (23) aportara muestras de sangre la tarde del jueves en el Cuerpo Médico Forense.

Los peritos también confirmaron que el cuerpo de mujer que faltaba reconocer es de Tyler Mooney Sabrooke, una turista norteamericana que fue reconocida visualmente por familiares que llegaron de Estados Unidos debido a que no estaba calcinada, sino que fue rescatada del micro y falleció en el hospital.

Basta ler esta manchete para entender:

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A imprensa culpa a governadora Roseana Sarney pelas chacinas no presídio de Pedrinhas. É uma meia-verdade. A Justiça também é culpada. Assim acontece em todos os Estados. Que o Brasil possui campos de concentração espalhados por várias cidades. Inclusive cemitérios clandestinos. Em um deles, a Polícia Militar do Rio de Janeiro enterrou Amarildo.

Remember a luta do presidente do STJ, ministro Joaquim Barbosa, para nomear um juiz de sua máxima confiança para o presídio de Brasília onde estão presos os condenados do Mensalão Petista. Local que ficarão – quiçá, quicá, quicá – os condenados do Mensalão Tucano.

Aprovado relatório final do Mutirão Carcerário no Ceará

por Jorge Vasconcellos/ Agência CNJ de Notícias
Presídio no Ceará. Foto CNJ

Presídio no Ceará. Foto CNJ

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, por unanimidade, nesta terça-feira (11/2), durante a 182ª Sessão Ordinária, o relatório final sobre o Mutirão Carcerário no Ceará, realizado no período de 6 de agosto a 6 de setembro de 2013. O documento traz uma série de recomendações às autoridades do estado, entre elas a construção de unidades prisionais e investimentos na melhoria da gestão das varas criminais e de execução penal.

A decisão plenária se deu no exame da Petição Avulsa 0000676-84.2014.2.00.0000, relatada pelo conselheiro Guilherme Calmon, supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF).

As recomendações ao governo do estado incluem a construção de cinco unidades prisionais, medida necessária para reduzir a superlotação das celas. Uma das unidades deverá ser de segurança máxima, no município de Pacajus, região metropolitana de Fortaleza, “evitando-se, desta forma, a contaminação de presos com menor periculosidade com aqueles de maior periculosidade”, segundo o relatório, que fixa prazo de seis meses para a conclusão de todas as cinco obras.

Outra recomendação é pela reforma e aparelhamento da Colônia Agrícola do Cariri Padre José Arnaldo Esmeraldo de Melo, “que atualmente se encontra sucateada e com apenas cinco presos”. O prazo para a conclusão da reforma é de 90 dias.

O CNJ também orienta o governo local a realizar concurso público para o provimento de cargos de Defensor Público, com a lotação dos aprovados em todas as varas criminais de Fortaleza e do interior do Ceará. O prazo, nesse caso, é de dois anos.

Diante da necessidade, identificada pelo mutirão, de ampliação do número de agentes penitenciários, o relatório recomenda ainda a realização de concurso público. A medida deve ser planejada de forma que haja, no prazo de um ano, a proporção de um agente para cada 5 presos, conforme estabelecido pelo Ministério da Justiça.

Sobre denúncias relacionadas a constrangimentos enfrentados por visitantes de unidades prisionais, a orientação do CNJ é para a administração penitenciária “providenciar a adequação da revista aos visitantes dos apenados, de forma a não permitir atos degradantes e humilhantes”. Nesse caso, as providências devem ser tomadas em 90 dias.

Judiciário – Entre as medidas a serem adotadas pelo Poder Judiciário estadual, segundo o Mutirão Carcerário, está o envio de anteprojeto de lei à Assembleia Legislativa que propõe a criação de mais uma Vara de Execução Penal na Comarca de Fortaleza, com competência exclusiva para a fiscalização das unidades prisionais e das transferências de presos. Há também a orientação pelo envio de anteprojeto de lei que prevê a criação de mais uma câmara criminal no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE).

O Judiciário local deve ainda, conforme o relatório, promover curso de capacitação de servidores locados nas varas criminais e de execução penal, com o objetivo de padronizar as rotinas nessas unidades e, assim, qualificar a gestão dos processos judiciais. O prazo é de 90 dias.

Outra recomendação é pela implementação de ferramentas que permitam o acompanhamento da execução das penas, entre elas a calculadora virtual disponível no portal do CNJ. Com prazo de 30 dias para ser adotada, essa medida é considerada necessária para prevenir atrasos na concessão de benefícios previstos na Lei de Execução Penal, como, por exemplo, progressão de regime de cumprimento de pena e liberdade.

O documento também destaca a obrigatoriedade de os juízes com competência em execução penal realizarem, mensalmente, inspeções em unidades prisionais, incluindo carceragens de delegacias de polícia, conforme previsto na Resolução CNJ n. 47/2007. Segundo o relatório, essa situação deve estar regularizada no prazo de 30 dias.

Veja aqui a íntegra do relatório.

O Movimento Independente Mães de Maio está de luto.
A doméstica Maria da Conceição Ferreira Alves, 54 anos, morreu às 10h30 desta sexta-feira (10), vítima de câncer, no Hospital Geral de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Maria da Conceição era mãe de Antonio Carlos da Silva Alves, 31 anos, o Carlinhos, sequestrado e morto pelo grupo de extermínio “Os Highlanders”, formado por policiais militares que agiam na zona sul de São Paulo.

Em 8 de outubro de 2008, Carlinhos, portador de problemas mentais, foi sequestrado, segundo a Promotoria e a Polícia Civil, pelos PMs Rodolfo da Silva Vieira, Moisés Alves Santos, Joaquim Aleixo Neto e Anderson dos Santos Sales. O corpo de Carlinhos, decapitado e sem as mãos, foi achado no dia seguinte, numa área de despejo de cadáveres em Itapecerica da Serra (Grande SP). Para os responsáveis pela investigação, a hipótese para o crime é de que, numa abordagem dos quatro PMs, Carlinhos não tenha conseguido falar direito. Sem saber da deficiência, os policiais teriam interpretado como gozação e decidido matá-lo. Com mais cinco PMs, os quatro PMs são acusados de integrar o grupo de extermínio “Os Highlanders”, assim chamado porque 5 das 12 supostas vítimas foram decapitadas.

Desde o sequestro e morte de seu filho, Maria da Conceição e seus familiares lutavam por Justiça. Em julho de 2011, os quatro PMs acusados pela morte de Carlinhos foram condenados a 18 anos anos e 8 meses de prisão pelo crime, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e os PMs estão soltos, à espera de um novo Júri. A defesa dos PMs alegou ao TJ-SP que o promotor do caso cometeu um desvio durante o Júri ao mostrar uma camiseta com a foto de Carlinhos aos sete jurados.

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Maria da Conceição foi uma das autoras do livro “Mães de Maio, Mães do Cárcere – A Periferia Grita”.

A guerreira Maria da Conceição, que foi diversas vezes ameaçada de morte para que não buscasse Justiça pela morte de Carlinhos, escreveu uma carta para a presidente Dilma:

Estou escrevendo esta carta para todos os políticos do Brasil, especialmente para nossa presidenta, a senhora Dilma. Peço o apoio de todos vocês neste momento, o mais difícil e doloroso de toda a minha vida – e não só da minha, mas de toda a minha família.

Tudo mudou em nossas vidas no dia 8 de outubro de 2008, numa quarta-feira, por volta das 17h30. Carlinhos, que estava com 31 anos e tinha deficiência mental, era o meu filho mais velho. Apesar de sua deficiência, trabalhava com um senhor, dono de uma imobiliária.

Quando os inquilinos mudavam ele chamava Carlinhos para pintar as casas. Meu filho sempre trabalhou no mesmo bairro em que moramos há mais de 35 anos. Nunca o deixávamos andar sozinho para longe, pois não sabia ler, escrever nem mesmo falar o próprio nome.

Nesse dia 8 de outubro, ele vinha do trabalho. Faltavam cerca de 100 metros para chegar em casa quando uma viatura do 37º Batalhão da Força Tática (nº 37014, de placa CMW-5209) parou ao seu lado. Um policial desceu do carro já lhe dando uma gravata e o colocou dentro da viatura, no banco de trás, entre dois policiais.

Tudo foi visto por um senhor que é evangélico. Logo em seguida, vizinhos vieram nos avisar que os policiais haviam levado Carlinhos.

Imediatamente peguei os documentos e meu marido telefonou para minha filha Vânia, que tinha ido à padaria .Quando ela voltou, foi logo perguntando: “Foi a Força Tática? Passei por ela e vi uma pessoa no banco de trás, entre dois policiais, e eles empurrando a cabeça dessa pessoa para baixo, tentando escondê-lo”.

Começou então nossa correria para encontrar meu Carlinhos. Temíamos que os policiais fizessem perguntas a ele – com certeza ele não saberia responder, já que não falava o próprio nome. Passamos a noite procurando em várias delegacias e até mesmo em hospitais.

Enquanto isso, Vânia e meus outros filhos ficaram em casa ligando para delegacias ou procurando pelo bairro, na esperança de que os policiais percebessem que ele era deficiente mental e o liberassem.

Chegando na manhã do dia 9, não sabíamos mais onde procurar. Fomos então ao 37º batalhão e pedimos para falar com o comandante. Ele veio falar conosco. Estava muito nervoso.

Fez várias perguntas, uma delas sobre como era Carlinhos fisicamente. Falamos que era magro, de cabeça raspada. Ele não queria essas características, só queria saber se ele tinha alguma cicatriz em algum lugar do corpo. Eu disse que ele tinha uma cicatriz no abdome, devido a uma cirurgia de apêndice, e uma tatuagem em forma de teia de aranha no braço esquerdo – por ele ser deficiente, uma pessoa de má índole que estava aprendendo tatuar usou meu filho como cobaia, fazendo esse desenho sem a nossa autorização.

O comandante ficou desesperado, olhando para outro policia. Perguntei a ele: “O senhor encontrou meu filho? Ele respondeu “ainda não”. Saí da sala e não o vi mais.

Meu marido e um de meus filhos ficaram em outra sala. Desci para fumar e comecei a conversar com uma policial, para quem mostrei a foto de Carlinhos. Um outro policial chegou e perguntou o que estava acontecendo. A mulher respondeu que eu procurava meu filho, que era deficiente mental. Ele disse então: “Por causa desse caso, ‘fui chamado a atenção’”.

Perguntei: “Por quê? O senhor trabalhou por aqueles lados?”. “Realmente ‘fiz’ a Planalto, mas não abordei ninguém com essas características”, respondeu o policial. Perguntei a que horas ele havia “feito” a Planalto, e ele falou que não se lembrava exatamente, mas que havia sido por volta das 17h30.

“Moço, foi nesse horário que pegaram meu filho”, eu disse. A policial que estava comigo falou que eu estava com a foto de Carlinhos. Mostrei para ele – que, olhando para a imagem, disse “realmente” não tê-lo visto.

Fiz então um pedido. “Moço, se o senhor encontrá-lo, por favor, não judie dele nem o deixe jogado. Entre em contato conosco que iremos buscá-lo. Ele não vai saber voltar sozinho e vai se perder.” Sem responder, o policial abaixou a cabeça e saiu.

Peguei meu celular e falei para a policial: “Tenho foto dele aqui. A senhora quer ver?”. Quando ela pegou o celular, chamou o policial, que voltava em nossa direção. “Moisés, ela tem foto dele aqui no celular. Procure para mim”, disse a policial. O colega pegou o celular, mexeu em algumas teclas e logo entregou à mulher, dizendo que não conseguia encontrar nada.

Mal sabia eu que aquele policial, que minutos antes eu havia chamado de senhor, era um dos assassinos do meu filho.

Depois disso, passei por tratamento psicológico e tomo medicamento. Não consigo dormir. Fico a noite inteira acordada, só ouvindo os gritos e gemidos do meu filho.

Deus, como meu filho sofreu. Foi espancado até a morte e decapitado. Arrancaram as mãos e ainda o retalharam.

Esses policiais mataram não apenas o Carlinhos, mas a mim também. Achando pouco que fizeram, ainda ameaçam a mim e à minha família.

No dia 29 de julho de 2010, eles foram julgados e condenados a 18 anos e 8 meses de prisão – mas só ficaram 1 ano e 6 meses presos. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1ª Vara Criminal do Fórum de Itapecerica da Serra, resolveu colocá-los em liberdade, alegando que neste ano não havia mais vaga para um novo julgamento – o anterior foi anulado por causa de uma camiseta que o promotor mostrou no dia do julgamento.

Eles foram soltos no dia 9 de fevereiro e já voltaram a nos ameaçar por telefone celular e mandando mensagens. Já fizemos boletim de ocorrência, mais um – temos todos os B.O.s das ameaças guardados.

Por isso, peço às autoridades competentes que nos ajudem a colocar esses assassinos de volta na cadeia. Ajudem-nos a fazer justiça, antes que eles comecem a decapitar mais inocentes e outras mães sofram. Eu pergunto às autoridades deste país como um juiz solta um grupo de extermínio treinado e organizado no meio da sociedade.

Senhora Dilma, peço a Deus todos os dias que me dê forças para suportar essa dor, esse sofrimento que para mim não tem fim. Sei que a senhora é mãe e deve entender o quanto é doloroso perder um filho, principalmente dessa maneira tão cruel e pelas mãos dessas pessoas que tinham a obrigação de protegê-lo.

Por favor, senhora Dilma e senhores políticos, me ajudem. É o pedido de uma mãe que está clamando por Justiça. Conto em primeiro lugar com Deus e, em segundo, com vocês.

Muito obrigada pela atenção.

Maria da Conceição Ferreira Alves

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Querida dona Maria da Conceição, esteja em paz.
Nós sempre lutaremos para que seu maior desejo seja realizado: Justiça para o sequestro e morte do seu amado filho Carlinhos. Vai em paz, dona Maria. Estaremos aqui para lutar pela memória do Carlinhos.

No foto, dona Maria da Conceição se ajoelha após a condenação dos quatro PMs acusados de sequestrar e matar seu filho. O Júri ocorreu em 31 de julho de 2011, mas depois foi anulado pelo TJ-SP.

Um dos raros registros de dona Maria da Conceição

mães de maio

São Paulo, 10 de janeiro de 2014.

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Hig

Os “Highlanders”, grupo formado por policiais, também atuam no Rio de Janeiro. Eles torturam, matam e degolam suas vítimas, sempre pessoas pobres, moradores de favelas da capital

O grupo de extermínio formado por policiais militares, conhecido como “Os Highlanders”, uma alusão a forma de matar suas vítimas que sempre são decapitadas, é acusado de promover a morte de pelo menos onze pessoas, e todos os corpos foram encontrados sem as cabeças.

Os grupos paramilitares organizados por policiais, são formas de atuar da PM e possuem consentimento do Estado para promover a matança contra, principalmente, a população pobre das favelas. Esses grupos tiveram suas atividades intensificadas durante a ditadura militar, com o conhecido “Esquadrão da Morte”, uma organização que surgiu no final dos anos 60 e era integrado por políticos, membros do Poder Judiciário, policiais civis e militares e financiado pelos empresários. A forma de atuar do Esquadrão era semelhante ao que acontece atualmente com as milícias, também formadas por policiais, que torturam, reprimem e matam a população civil.

Assim como em todos os casos, o grupo de extermínio não era uma pratica isolada de alguns policiais, mas sim parte da política de repressão do governo do Rio de Janeiro. Essa conivência ficou bastante clara com a prisão de três PMs que assumiram os assassinatos, entre eles o soldado Rodolfo da Silva Vieira, filho de um oficial da corporação e protegido do coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM. O coronel chegou inclusive a ordenar que todos os relatórios onde os PMs citassem a abordagem de pessoas que apareceram mortas posteriormente fossem destruídos, uma forma de eliminar toda e qualquer pista de envolvimento dos PMs, mostrando o envolvimento com o comandante do Batalhão de Choque da PM, ou seja, com a pessoa que organiza e dá toda a linha das operações e da política de repressão.

É preciso ter claro, no entanto, que em nenhum dos casos os assassinos fardados serão punidos, é o que acontece também com os assassinos do Esquadrão da Morte, que até hoje permanecem impunes. A prisão de PMs, em alguns casos, não representa a punição deles, que logo serão soltos, mas mostra a crise existente dentro da Polícia, órgão repressor do Estado, sendo obrigados a encenar a punição de alguns policiais para dar uma espécie de satisfação para a população que não suporta mais as atrocidades cometidas pela PM. (Fonte: Causa Operária)