ANÁTEMA
por Luiz Alberto Machado
Pelo meio do mundo afora
pelo jeito que for e será
pelos ermos caminhos embora
e nos abismos me extasiar
ver o dia vir nascer das mãos
ver o sol se deitar nos olhos
é o meu destino de qualquer pagão
no sereno da noite me molho
e enxugo a pele
não me dera a vida uma escolha
e por sentir amada
na paixão minada, viver
pelo equívoco de quem desama
repudiando deus e todo mundo
vociferando o verso que a veia inflama
num anátema jamais profundo
pelo de dentro e o que vem de fora
pelo embuste que segreda a farsa
procuro pelo que evadiu agora
e no frigir já não vale mais nada
e a pancada insólita
se alastra na culatra
e não foi feita só de mera viva cortesia,
viver
não me resta aqui dizer mais nada
isso é página virada
precisa só viver
